No Paraguai, mais filas por vacina

REUTERS E EFE - O Estado de S.Paulo

Governo tenta acalmar população; houve tumulto ontem

As autoridades sanitárias do Paraguai asseguraram ontem que não foram detectados novos casos de febre amarela nas áreas em que quatro pessoas já morreram com sintomas da doença, mas, mesmo assim, a população continuava procurando os postos em busca de vacina. "A informação mais importante é que não estão sendo verificados novos casos nos focos já existentes: a região de São Pedro (de Ycuamnadiyú, a mais de 300 km de Assunção) e em Laurelty (bairro do município de San Lorenzo, a 30 km da capital)", disse ontem Gualberto Piñánez, epidemiologista e diretor de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde paraguaio.Uma das preocupações do governo é acalmar a população, de 5,6 milhões de habitantes. Com medo de contágio, as pessoas continuam indo aos postos de saúde. Mas o desabastecimento e a falta de organização para aplicar as doses disponíveis causaram tumultos. Milhares protestaram ontem ateando fogo a pneus, bloqueando ruas e exigindo ser imunizadas. Há duas semanas, Piñánez chegou a falar em "psicose coletiva", ao criticar a busca desnecessária por vacinação. "Não há no mundo vacina suficiente para imunizar toda a população do Paraguai", disse naquela ocasião.ESTADO DE EMERGÊNCIANa sexta-feira passada, o presidente Nicanor Duarte decretou estado de emergência nacional, durante 90 dias, para neutralizar o risco de epidemia. Com a medida excepcional, o governo pode direcionar verbas com mais liberdade a ações de combate e prevenção. No início de fevereiro, foi confirmada a primeira morte por causa da doença desde 1904, na Província de São Pedro. Há 34 anos o país não registrava sequer casos de contágio.Pela contabilidade oficial, até ontem havia 33 pacientes com "alta probabilidade" de ter contraído febre amarela - 7 notificações em Assunção. O governo informa que houve quatro mortes, mas a imprensa local fala em oito. Por causa da complexidade dos exames, e pelo fato de o Paraguai não dispor de laboratórios que confirmem ou descartem com segurança o contágio, Piñánez explicou que foi decidido que os casos "altamente prováveis" sejam considerados de febre amarela, ao menos até que se demonstre o contrário. Como ocorreu no Brasil recentemente, houve registro de reações adversas à vacina. Cerca de 600 mil pessoas já foram imunizadas.SEM FILA DEBAIXO DE SOLO Paraguai espera confirmação de envio de mais 2 milhões de doses do Fundo Global de Vacinas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No sábado, o Brasil despachou para o vizinho 800 mil vacinas. Com o reforço, o vice-ministro da Saúde, Antonio Barrios, disse que se espera garantir vacinação "rápida, sem espera, sem filas sob o sol".