No México, temor e busca por máscaras

Daniela Pastrana, CIDADE DO MÉXICO - O Estado de S.Paulo

A mulher abre passagem na fila e instala-se diante do balcão da farmácia localizada na frente do Instituto Nacional de Doenças Respiratorias, na Cidade do México. "Tem máscaras cirúrgicas?", pergunta através da máscara - do tipo usado por pintores - que cobre metade do seu rosto, que ela diz ter achado entre os trastes de sua casa. "Só das simples", responde o vendedor, em tom cansado. "Quantas você tem? Quanto custa?" insiste ela."Posso vender dez, no máximo", diz o jovem, seguindo as instruções oficiais para evitar a revenda. "Então, me dê as dez", conclui.Como muitos na Cidade do México, a mulher, Guillermina, lançou-se na busca frenética para encontrar as máscaras. "Não sei se eles as escondem. Anunciaram na TV que os militares distribuiriam 6 milhões, mas não as encontro", diz. Ao medo da gripe, acrescentou-se na segunda-feira o do sismo de 5,7 graus na escala Richter, com epicentro no Estado de Guerrero (a 400 quilômetros da capital) e o anúncio da suspensão das aulas em todo o país.Em seu popular programa de rádio, o jornalista Jacobo Zabludovsky resume o temor da população: "Já não sabemos se devemos sair com capacete por causa do sismo, com máscaras cirúrgicas por causa da gripe ou com colete à prova de balas por causa da criminalidade." Do lado de fora do hospital especializado em doenças respiratórias, repórteres se aglomeram. Os trabalhadores aproveitam para denunciar a falta de garantias mínimas para seu trabalho e contribuem para o caos contando histórias sobre enfermeiras infectadas e um médico morto, do qual não dão maiores detalhes.Há muita paranoia porque as informações não são claras. São muitas, mas confusas. Mara de Jesús, grávida de 7 meses, veio ver o marido, Apolinar, internado há oito dias com um problema pulmonar que não puderam tratar em seu povoado, na zona mais violenta de Guerrero. "Ele não estava em estado grave, mas não havia o equipamento por isso nos mandaram para cá", ela diz. "De qualquer modo, epidemia para nós é a pobreza porque sempre estamos assim."