Nascimento de óctuplos gera debate nos Estados Unidos

The Washington Post, Los Angeles - O Estado de S.Paulo

Especialistas americanos em fertilidade estão sugerindo que o caso de Nadya Suleman e seus óctuplos constitui uma quebra de orientações médicas. Suleman, de 33 anos, deu à luz seis meninos e duas meninas por cesárea no dia 26 de janeiro no centro médico Kaiser Permanente Medical Center, em Bellflower (Califórnia). Ontem ela deixou o hospital, mas os bebês continuam internados.O acontecimento - só se tem notícia de mais um nascimento de óctuplos vivos nos Estados Unidos - provocou críticas após se revelar que Suleman é solteira, desempregada, vive com a mãe e já tem seis filhos - incluindo gêmeos. "Ela não é má, mas é obcecada por filhos. Adora crianças, é muito boa com crianças, mas evidentemente exagerou", disse a mãe de Nadya, Angela Suleman, ao jornal Los Angeles Times. Ela decidiu pela implantação de mais embriões na esperança de ter "só mais uma menina".O nascimento de oito bebês está atraindo um conjunto diferente de preocupações da comunidade médica, especialmente da área ligada à fertilidade, já que sua missão é minimizar o alto risco, a gravidez múltipla e, com segurança, propiciar um bebê saudável. Está suscitando também questões sobre regulamentos que norteiam médicos e clínicas nos EUA. "Foi um grave erro", disse Eleanor Nicoll, porta-voz da American Society for Reproductive Medicine, que junto com a Society for Assisted Reproductive Technology fornece orientações médicas para tratamento de fertilidade. Suleman não revelou como os bebês foram concebidos nem qual clínica esteve envolvida. O Kaiser informou não estar envolvido na concepção. Normalmente os médicos usam a fertilização in vitro - pela qual os embriões são formados em laboratório e transferidos em pequeno número para o útero - e a inseminação intrauterina, em que os ovários são estimulados a produzir óvulos e depois é feita inseminação artificial. Em ambos, os médicos disseram que trabalham com dois a três embriões, no máximo quatro, mas não oito. Para uma mulher com mais de 30 anos, as diretrizes para fertilização recomendam a transferência de não mais que dois embriões para evitar riscos.