Na França, uma campanha reduziu em 26,5% o consumo desse medicamento

Fabiane Leite e Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Uma campanha nacional na França ajudou a diminuir em 26,5% o consumo de antibióticos no país. Foi o que mostrou um estudo publicado no início do mês na revista científica Public Library of Science Medicine. Pesquisadores do Instituto Pasteur, em Paris, analisaram as prescrições de antibióticos durante o período de vigência da campanha Antibióticos não são automáticos, realizada entre 2002 e 2007, nos meses de inverno - quando a maior parte das infecções virais respiratórias costuma ocorrer. A iniciativa do governo francês incluiu uma campanha com profissionais de saúde para promover a prescrição racional de antibióticos e uma ação para conscientizar a população sobre o problema dos microrganismos resistentes. A diminuição foi observada em todas as 22 regiões da França e atingiu todas as classes de antibióticos disponíveis no mercado, exceto as quinolonas, usadas muitas vezes contra cepas resistentes. A maior diminuição ocorreu nas prescrições para crianças - uma queda de 30%. Os autores comentam que "tal resultado é muito encorajador, pois um porcentual significativo de prescrições de antibióticos para crianças é desnecessário, tendo em conta a origem viral das infecções". "O estudo é a análise mais ampla e sofisticada que relaciona uma campanha nacional à diminuição no uso de antibióticos", afirma Benedikt Huttner, da Universidade de Genebra (Suíça), autor de um comentário sobre a pesquisa francesa.