''Mulher ficou em desvantagem''

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Psicóloga diz que muitas se sentiram menosprezadas ao ver o marido recuperar capacidade de ter relações sexuais

Enquanto os homens recuperam a virilidade e a vaidade e mudam os parâmetros delimitados historicamente pelo envelhecimento, as mulheres se dividem em relação aos medicamentos para disfunção erétil. Existem as que adoram, as que odeiam e as que se sentem em desvantagem perto dos parceiros. "Para a mulher ainda não existe nada disso, o que as deixa numa posição difícil e muito angustiante", explica a psicóloga Julieta Durce, especializada no atendimento a casais da terceira idade. Segundo ela, suas pacientes relatam que, ao verem o marido recuperar a capacidade de ter relações sexuais, se sentem menosprezadas. "Elas enfrentam a menopausa sozinha, as dificuldades que essa alteração hormonal provoca, tanto física como mentalmente, e ainda ficam inseguras em conseguir manter o marido", completa."Não tem pílula para mim", relata a advogada aposentada A.M., de 68 anos. "Para a mulher, só a pílula anticoncepcional e a do dia seguinte. E para as duas eu já passei da idade", brinca ela. Apesar do bom humor para lidar com a situação, ela diz que, desde que o marido começou a tomar os remédios, aos 70 anos, mudou seu comportamento e também as cobranças em relação a ela. "Para as mais jovenzinhas é ótimo. Para nós, depois de uma certa idade, é mais difícil", diz a advogada.É uma situação delicada que aparece em diversas pesquisas de comportamento. Para 82% das mulheres entrevistadas pelo Projeto Sexualidade da USP, o sexo melhorou após os remédios porque o homem ficou mais seguro, interessante e calmo. No entanto, 20% delas acreditam que os medicamentos ameaçam a estabilidade do relacionamento do casal como um todo."Comecei a tomar porque fiquei curioso de tanto ouvir falar e minha mulher foi à farmácia comigo", conta o aposentado J.L., de 58 anos. "Depois dos 45, comecei a ter dificuldades na relação, ela foi muito compreensiva comigo, agora quero recuperar o tempo perdido", diz. Alguns anos após seu lançamento, a Pfizer chegou a testar o Viagra em mulheres, mas os resultados foram pouco satisfatórios, o que levou o laboratório a desistir de seguir uma pesquisa nessa linha. No momento, várias empresas farmacêuticas investem em remédios para a sexualidade feminina, mas até o momento não há nenhuma substância em fase avançada.