Mudança forçada e mudança escolhida

- O Estado de S.Paulo

Mudança forçada  Kamyla da Costa Matias, 18 anos, estudou em escolas particulares até o segundo ano do ensino médio, quando sua mãe a transferiu para um colégio público desprovido de infra-estrutura. "Ela me trocou de escola como castigo, porque as notas estavam baixas. Eu nem usava o banheiro", conta.  Na opinião da psicopedagoga Katia Forli Bautheney, a tática adotada pela família é falha. "Não acredito nessa chantagem. Isso é até preconceituoso, já que a imensa maioria estuda em escola pública no Brasil. Agora, se a família perde condições financeiras, aí a troca se justifica. Há casos de famílias que se privam de todo lazer para pagar um colégio", diz.  Vale ressaltar que a variação de preço entre escolas similares é enorme, assim como a qualidade do ensino público também oscila muito. Algumas escolas do Governo contam com metodologias criada por grandes grupos educacionais do sistema particular, tais como Objetivo e Positivo.  Mudança escolhida Nicole Mendes, 13 anos, ganhou até uma comunidade virtual dos colegas quando decidiu deixar a escola, mas não houve acordo: ela queria mudar de ares. " Havia brigado feio com alguns amigos, mas no fundo não saí só por causa disso. Precisava conhecer gente nova, mudar um pouco de grupinho. Quando entrei na escola nova, eu era meio estranha, tinha mexa azul no cabelo. Muito me criticavam", conta. Especialista em psicopedagogia clínica e institucional, Milene Massucato explica que os conflitos pessoais no ambiente escolar costumam impulsionar muitas transições de colégio. Ela ressalta, contudo, que nem sempre a medida consegue satisfazer o aluno. "Às vezes o problema não é a escola. A criança ou jovem pode ficar rebelde ou briguento por outros motivos. Dependendo do caso, um acompanhamento psicológico pode resolver a questão. A mudança passa a ser mais interessante no caso de crianças muito rotuladas, vítimas de apelidos e brincadeiras que perduram por anos na vida escolar, afetando sua auto-estima", conclui.