MP manda prender mãe por falta do filho

Chico Siqueira, SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O Estado de S.Paulo

Delegacia da mulher libera as 4 acusadas de ?abandono intelectual?

O Ministério Público de Mirassol (SP) pediu a prisão de quatro mães por ausência escolar e mau comportamento dos filhos. Segundo o promotor José Heitor dos Santos, da Vara da Infância e da Juventude, os pais cometeram abandono intelectual ao não explicar os motivos pelos quais os filhos estariam faltando às aulas e usando drogas. As mães negam e acusam o promotor de abuso de poder e de humilhá-las, ao colocá-las em camburões sob a vigilância de policiais armados. Apesar de o MP ter decretado voz de prisão, nenhuma delas foi presa. A delegada da Mulher de Mirassol, Junia Cristina Macedo, não ratificou a prisão e as liberou. "Todas, separadas judicialmente ou divorciadas, são trabalhadoras e cuidam dos filhos como podem", explicou. Segundo ela, todas têm dificuldade de receber ou não recebem pensões dos ex-maridos. "Se eu prender, vou causar uma situação pior ainda."Os pedidos de prisão foram dados na semana passada para duas mães e anteontem para outras duas. Elas prestavam depoimento no fórum quando tiveram voz de prisão decretada pelo promotor. Em seguida, foram colocadas em camburões e levadas à Delegacia da Mulher. "Quando chegamos lá, equipes de TVs e jornalistas estavam nos esperando. Ele queria era fazer show", disse R.S.A., que passou mal quando soube que seria presa. Ela cuida de doentes à noite em Mirassol e foi chamada para depor sobre as frequentes brigas do filho na escola.Na semana passada, outra mãe, C.A.F., de 33 anos, também teve a prisão decretada e rejeitada pela delegada. Ela tem hepatite C e cirrose hepática e passa parte do dia respirando com ajuda de aparelhos. Há dois anos, ela amarrou o filho de 15 anos na cama para evitar que ele usasse drogas. O pedido foi feito pelo próprio garoto, viciado em crack, que chegou a ser levado para uma unidade de recuperação, mas não conseguiu largar a dependência.O promotor não foi localizado. As famílias passarão por acompanhamento do Conselho Tutelar.