Movimento é estratégia competitiva, afirma ANS

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

De acordo com Alfredo Cardoso, diretor de Normas e Habilitação da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o movimento de verticalização não é abrangente, mas parte de uma estratégia competitiva de algumas companhias do setor. O diretor destaca que a verticalização não é vedada por legislação da agência, mas que o órgão se preocupa com a qualidade do atendimento. "Se construírem serviços de baixo custo, ótimo; se diminuírem a qualidade e o custo for maior, é um risco que terão de pagar ." As líderes do mercado também abriram capital recentemente e querem mostrar aos investidores que a aquisição de unidades próprias pode significar contenção dos custos. A verticalização, segundo Cardoso, foi incentivada pela própria agência no início de suas atividades, pois o órgão permitiu que as empresas de planos usassem os próprios hospitais como garantia para serem regularizados pelo governo, o que não é mais autorizado. O aumento de custos das operadoras de planos de saúde com assistência e o aperto da fiscalização nos últimos anos gera um movimento de aquisições e fusões no mercado de convênios. A Amil, por exemplo, adquiriu nos dois últimos anos a Blue Life e a Porto Seguro. A concorrente Medial adquiriu a Amesp e o Grupo Saúde, de Pernambuco. Muitas vezes, no entanto, as aquisições são um peso para a empresa, pois as movimentações assustam clientes já penalizados com os problemas do plano vendido, e sobram nas carteiras somente os que não podem deixar o convênio, como idosos e doentes.