Morte de Eluana foi por desidratação, diz laudo

AFP e EFE - O Estado de S.Paulo

A autópsia de Eluana Englaro, a italiana em coma por 17 anos que, por decisão da Suprema Corte do país, teve a alimentação interrompida, revelou que ela morreu de desidratação, como previsto no protocolo autorizado pela Justiça. A desidratação provocou parada cardíaca. Ela morreu na segunda-feira, três dias após o início da diminuição da alimentação. Entenda o caso de Eluana Englaro e opine sobre o desfechoO enterro do corpo de Eluana foi autorizado ontem pelo procurador de Udine, no nordeste da Itália, onde ela morreu. O aval de Antonio Biancardi coincide com a opinião do procurador-geral da Corte de Apelação de Trieste, Beniamino Deidda, que reafirmou ontem que as causas do falecimento da jovem são "compatíveis" com o protocolo médico.O tio de Eluana, Armando Englaro, afirmou que a família não mais pretende cremá-la. Ela será enterrada no cemitério de San Daniele, na cidade de Paluzza, próxima a Udine. DEBATEO caso de Eluana segue gerando debate. Em carta a Giuseppe Englaro, pai de Eluana, Robert Schindler, pai de Terri Schiavo, a norte-americana que morreu em março de 2005 após a Justiça dos EUA autorizar o desligamento da sonda que a mantinha viva, afirmou que "o assunto não morre com Terri ou Eluana, porque há dezenas de milhares de pessoas que vivem com o mesmo tipo de doença". No caso Schiavo, no qual seus pais discordavam do seu marido, que era contra a vida dela ser mantida artificialmente, a opinião do então presidente George W. Bush coincidiu com grupos cristãos e conservadores que o adotaram como uma batalha contra a eutanásia. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, agiu para aprovar uma lei que impedisse a morte de Eluana, contrariando o presidente Giorgio Napolitano.Ontem, o papa Bento XVI pediu aos "responsáveis das nações" por "leis e medidas a favor das crianças doentes e de suas famílias". Um dos porta-vozes da Igreja Ortodoxa Russa afirmou que "em certos casos" não é necessário manter um corpo com vida. "Há casos em que não está claro se a alma está presente no corpo, após vários anos sem sinais de vida consciente", declarou Vsevolod Tchaplin. "Isso não tem nada a ver com uma espécie de eutanásia", completou.