Morre o ator Patrick Swayze, aos 57

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo

Famoso por filmes como ''Dirty Dancing - Ritmo Quente'' e ''Ghost'', ele lutava contra o câncer de pâncreas

No começo do ano, Patrick Swayze deu uma entrevista à imprensa dos EUA em que dizia que ainda teria, provavelmente, dois anos de vida. Diagnosticado com câncer de pâncreas no começo de 2008, o ator rapidamente cedeu espaço à doença. Na semana passada, os tabloides americanos anunciavam: "Sua agonia chega ao fim: Patrick Swayze, cansado de lutar, volta para casa para morrer". Nem foi preciso esperar muito. Ontem, aos 57 anos, ele morreu pacificamente. Estava tão debilitado - fisicamente devastado - que nem de longe lembrava o dançarino de Dirty Dancing - Ritmo Quente nem o galã de Ghost, Do Outro Lado da Vida. Foram dois grandes êxitos de Hollywood, especialmente o segundo, que por muito tempo integrou a lista das dez maiores bilheterias de todos os tempos.

Patrick Swayze foi um ícone dos dançantes anos 80. Na trilha do John Travolta que inaugurou a era das discotecas com Embalos de Sábado à Noite, ele fez dançar toda uma geração ao som de Ritmo Quente, mas o filme envelheceu mal. Hoje em dia, revisto na Sessão da Tarde, Ritmo Quente exibe seu lado mais brega. Os figurinos são vulgares, o cabelo longo do astro é meio ridículo ao balançar quando ele dança. Ghost resiste melhor e a cena famosa em que Swayze e Demi Moore, encaixados, enfiam as mãos no barro, modelando uma peça, não perdeu em nada sua voltagem erótica como representação do sexo.

Patrick Swayze nasceu em Houston, no Texas, em agosto de 1952. Sua mãe era uma coreógrafa e professora de dança que direcionou o filho para o balé clássico, que ele abandonou por causa de problemas decorrentes de sequelas que os embates no futebol americano lhe provocaram. Já que não ia mais poder dançar O Lago dos Cisnes, Swayze resolveu investir numa carreira de ator. O físico atlético e o perfil romântico modelaram um tipo de personagem necessário numa época em que Hollywood voltava a dançar. Ele não foi certamente um grande intérprete, mas, dançando coreografias modernas, conquistou seu espaço. Virou mito.

Para os fãs, foi triste acompanhar a via crúcis da doença. Ele emagreceu muito, ficou com o rosto encovado e tão debilitado que nem conseguia mais andar. Há tempos que suas raras aparições o mostravam em cadeira de rodas, de óculos escuros e chapéu - para disfarçar a queda de cabelo consequente da quimioterapia. Ele estreou no cinema em 1979, mas o primeiro filme que merece ser lembrado é Vidas sem Rumo, de Francis Ford Coppola, em 1983. Dirty Dancing é de 1987, Ghost, de 1990. Patrick Swayze tentou outros papéis, em filmes como O Tigre de Varsóvia e Matador de Aluguel, que não deram certo. Mas Caçadores de Emoções, de Kathryn Bigelow, no qual contracenou com Keanu Reeves, é considerado "o" filme de surfe e Para Wong Foo, Obrigada por Tudo! Julie Newmar fez sucesso na mesma vertente de Priscila, a Rainha do Deserto - Swayze fazia com desenvoltura (e humor) uma drag queen.

O próprio Patrick, que tinha um irmão ator - Don Swayze -, dizia que a escola de sua mãe foi como um amuleto em sua vida. Além de definir uma carreira, ela o apresentou a uma colega de dança, Lisa Niemi, com quem se casou em 1975. Atravessaram juntos os anos de sucesso e a agonia da doença. Nunca tiveram filhos, mas Lisa permaneceu a seu lado até o fim, exatamente como se esperava que ocorresse com o galã de Ghost.