Ministério mobiliza 51 hospitais, 4 na capital

Fabiane Leite, Lígia Formenti, Felipe Oda e Fernan - O Estado de S.Paulo

Saúde divulga serviço telefônico, o 0800 61 1997, para tirar dúvidas

Um total de 51 hospitais de referência já foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde e secretarias municipais e estaduais para atender eventuais casos humanos de influenza suína no Brasil, ainda não registrados. Em São Paulo, há nove unidades para prestar assistência. Na capital, o Hospital Universitário da USP, o Hospital São Paulo, o Hospital das Clínicas da USP e o Hospital de Infectologia Emílio Ribas.No interior e litoral paulistas as unidades de referência são o Hospital das Clínicas da Unicamp, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, o Hospital de Base da Fundação Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, o Hospital Estadual de Bauru e o Hospital Guilherme Álvaro, este em Santos.Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, no total haverá 150 leitos de isolamento disponíveis, dos quais 60 têm pressão negativa, para evitar qualquer risco de disseminação. Devem ser encaminhados aos serviços aqueles que chegarem de áreas em que já se confirmou oficialmente casos e que apresentem sintomas como febre repentina, acima de 38°C, acompanhada de um ou mais dos seguintes sinais: tosse, dificuldade respiratória, dores de cabeça, musculares e nas articulações. Um serviço telefônico (0800611997) foi divulgado ontem pelo ministério para que a população possa tirar dúvidas.AEROPORTOSOntem também foram enviados um total de 70 mil folders com informações sobre influenza suína aos aeroportos internacionais de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Rio de Janeiro. Outras 60 mil impressões deveriam ser despachadas até o fim do dia. A restrição de viagens não faz parte das recomendações. Segundo o Secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, tal medida será adotada somente se o Comitê de Emergência Mundial fizer no futuro esse tipo de recomendação. O material diz que quem for para áreas afetadas deve usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante toda a permanência nos locais , evitar aglomeração de pessoas, não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal e lavar as mãos com frequência. Segundo o ministério, não foram feitos muitos panfletos de uma só vez."As informações mudam", justificou o secretário. Também as pessoas que chegam ao Brasil de áreas afetadas pela doença passaram a receber folders com orientação. Além disto, as declarações de bagagem dos passageiros estão sendo armazenadas, para eventual contato após o desembarque, se houver suspeita de contaminação.O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, José Agenor Álvares da Silva, justificou ontem o fato de, no fim de semana, passageiros procedentes de áreas de risco não terem recebido folhetos com orientações. "Fomos comunicados na sexta (sobre os casos e mortes no México), e o material que tínhamos disponível era sobre a gripe aviária", afirmou. O clima era de apreensão no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. O que pôde ser medido nas drogarias do local. Só ontem, cerca de 500 máscaras cirúrgicas descartáveis foram vendidas."Encomendamos mil unidades. Até quem não vai viajar para áreas de risco está comprando", disse Ricardo Saporito, dono da drogaria no terminal 2. No terminal 1, a mexicana Ximena de la Parra Parreras, de 23 anos, usava máscara ao aguardar a chegada da mãe. "Ela está vindo da Cidade do México para o meu casamento. Viemos buscá-la com as máscaras porque ela passou dez horas num avião com desconhecidos. O que garante que não há infectados?"