Ministério libera venda de leite da Parmalat

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Análises feitas pela Agricultura confirmaram que produto da empresa não estava adulterado

O Ministério da Agricultura autorizou ontem a comercialização do leite UHT/UAT produzido pela unidade da Parmalat na cidade de Carazinho, no Rio Grande do Sul. A informação foi confirmada pelo presidente do conselho administrativo da empresa, Marcus Elias. Anteontem, o governo já havia autorizado a comercialização do leite produzido pela Parmalat em Santa Helena, em Goiás. Com isso, não há mais restrições aos produtos da marca. A Parmalat divulgou ofício do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura liberando a comercialização do leite de Carazinho. No documento, o ministério informa que os testes "indicam que os produtos analisados estão de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo regulamento técnico de identidade e qualidade". De acordo com o ministério, não há risco iminente de que ainda haja leite adulterado disponível no mercado. Agora, só duas indústrias ainda estão proibidas de vender leite longa-vida: a Coopervale, de Uberaba, e a Casmil, de Passos, ambas de Minas Gerais. Em todo o País, 1.700 empresas atuam no setor de lácteos. No dia 22 de outubro, a Polícia Federal deu início à Operação Ouro Branco e desmantelou uma quadrilha que misturava soda cáustica e água oxigenada ao leite para dar mais volume, ampliar o prazo de validade e mascarar problemas de qualidade do produto. As duas cooperativas mineiras são acusadas de fraude e só poderão voltar a vender leite depois que os lotes forem analisados pelo Ministério da Agricultura. Para Elias, o resultado comprova a qualidade do leite vendido pela Parmalat. Em entrevista ao Estado, ele confirmou que a empresa comprou leite das cooperativas Casmil e Coopervale, mas disse que os lotes da Parmalat foram retirados do mercado apenas de forma preventiva pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Desde o primeiro dia (a Anvisa) disse, e continua dizendo, que esses leites não são impróprios para o consumo, apenas foram retirados do mercado por precaução." A denúncia de adulteração do leite das cooperativas pôs fim a uma relação comercial entre a Parmalat e a Casmil que durou apenas dois meses. Elias disse que nesse período todos os testes de higiene e qualidade dos produtos eram feitos normalmente pela Parmalat. "A empresa passou por situações difíceis no passado e nunca abandonou seus critérios de qualidade. Não seria agora que isso iria acontecer." Segundo ele, um volume grande do leite enviado pelas cooperativas era devolvido. "Somos a terceira empresa em captação de leite, mas somos os primeiros em devolução", disse. Segundo Elias, isso acontecia não por questões de fraudes encontradas no produto ou por problemas de higiene, mas sim por critérios de qualidade estabelecidos pela empresa, como sabor. Na semana passada chegou a ser divulgado que as vendas da Parmalat teriam caído 10% por causa do escândalo. Elias nega essa informação e afirma que a Parmalat ainda não tem esse balanço.