Minc anuncia fundo privado para Amazônia

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Ao tomar posse, novo ministro diz que medida visa a estimular ações de desenvolvimento sustentável; idéia é receber verba de outros países

O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que tomou posse ontem à tarde no lugar de Marina Silva, assumiu o cargo afirmando que não será um "carimbador maluco" de licenças ambientais - citando uma música do compositor Raul Seixas - e que dirá ao colega de Minas e Energia, Edison Lobão, que não é o "Chapeuzinho Vermelho".Minc aproveitou a posse, no Palácio do Planalto, para anunciar a criação, no próximo dia 5 de junho, de um fundo privado, com recursos nacionais e principalmente internacionais, para estimular ações de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Sem dar mais detalhes da idéia, Minc disse que o fundo será administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e já teria uma doação inicial de US$ 100 milhões da Noruega."Vamos trazer recursos para manter a floresta em pé. A lógica é a seguinte: todo mundo diz que a Amazônia é importante, todo mundo chora quando cortam uma árvore da Amazônia. Agora, temos 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia. E nós precisamos de recursos para essas pessoas sobreviverem com práticas sustentáveis", disse em entrevista ao final da cerimônia de posse. Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou Marina e a comparou a Pelé (leia texto ao lado).Minc anunciou que irá, na próxima quinta-feira, à conferência ambiental das Nações Unidas, em Bonn, na Alemanha. "O que eu vou dizer para os ministros de Meio Ambiente, em Bonn, é que nós somos soberanos, mas que as contribuições são bem-vindas para que possamos exercer nossa soberania ambiental e a sobrevivência digna de 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia", afirmou (mais informações sobre a conferência na pág. A15).Minc afirmou ainda que deve apresentar ao presidente Lula, já na semana que vem, uma proposta de ampliação dos poderes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na fiscalização e leilão imediato dos bens de apreendidos em ações ambientais, nos moldes dos poderes da Receita Federal. Hoje, os bens ficam à disposição da Justiça até o final de um processo. Minc quer que sejam leiloados para pagamento das multas, e os recursos revertidos para ações ambientais.O novo ministro chega ao cargo com a fama de que teria acelerado a concessão de licenças ambientais durante sua gestão como secretário de Meio Ambiente no Rio - algo visto como positivo por alguns e com receio por outros. Na sua primeira entrevista depois da posse, Minc fez questão de ressaltar que o trabalho de sua antecessora será mantido e manterá o rigor. "Não serei o carimbador maluco, da improbidade administrativa", brincou. "Podemos dar licenças mais ágeis e com mais rigor."Minc disse que vai conversar com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, com quem já trocou farpas pela imprensa antes mesmo da posse e que tem tido longas conversas com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Nos entendemos muito bem, e a nossa música é ?Dois pra lá, dois pra cá?: duas licenças, dois parques ambientais. O desenvolvimento vai andar e a preservação ecológica também."