MG interdita 19 lotes de leite longa-vida

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE - O Estado de S.Paulo

Produto era vendido por Parmalat, Calu e Centenário

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Minas Gerais determinou ontem a interdição cautelar de 19 lotes de leite longa-vida das marcas Parmalat, Calu e Centenário, produzidos no Estado, em São Paulo e Goiás. A decisão foi tomada com base nos resultados de 19 amostras analisadas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), que confirmaram a presença de substâncias fora dos parâmetros de qualidade aceitos pelos órgãos de fiscalização.A comercialização e o consumo dos produtos interditados foram proibidos por 90 dias ou até que as empresas solicitem uma contraprova, em um prazo máximo de 10 dias após terem sido notificadas.Dos 19 lotes interditados, 14 são da marca Centenário; 3 da Parmalat e 2 da Calu. "Nossa determinação foi encaminhada para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que deve amanhã (hoje) determinar a interdição também em todo território nacional", disse a gerente de Vigilância Sanitária em Alimentos da SES, Cláudia Parma.O pedido de coleta e análise das amostras foi feito pela Promotoria de Defesa do Consumidor em Uberaba (MG), no dia 24 de outubro, após a Operação Ouro Branco da Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) ter descoberto um esquema de fraudes por meio da adição de substâncias químicas não permitidas ao leite longa-vida nas cooperativas dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Copervale) e Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil).As cooperativas são acusadas de acrescentar ao leite soda cáustica e água oxigenada. O leite adulterado era revendido para a Parmalat e para a Calu. A Centenário é a marca comercial da Copervale.Segundo a SES, as análises constataram irregularidades no porcentual de sódio e presença de sacarose. "A sacarose não é um açúcar que deveria estar no leite. O açúcar do leite é a lactose", destacou Cláudia. Foi constatado ainda "desacordo na alcalinidade das cinzas" em relação à instrução normativa do Ministério da Agricultura. "Isso é o que vai dizer que ao produto foi adicionada alguma substância para neutralizar o leite, tirar sua acidez." Os técnicos também identificaram substâncias em quantidade acima da informada ao consumidor na embalagem.Conforme a SES, a Anvisa está avaliando se essas substâncias podem causar algum dano para a saúde do consumidor. A avaliação está sob a responsabilidade da Câmara Técnica de Alimentos, formada por universidades e especialistas em gestão de análise de riscos à saúde. O subsecretário de Vigilância em Saúde da SES, Luís Felipe Caram, orientou os comerciantes a recolherem os produtos. "Recomendamos, ainda, que as pessoas que já adquiriram os produtos impedidos não os consumam."De acordo com a SES, quem possuir leites de um dos lotes interditados poderá, com a nota fiscal, levar o produto até o local onde comprou e realizar a troca por outro.LEITE COntem, a venda do leite tipo C da marca Centenário foi liberada. A comercialização foi suspensa preventivamente pelo Ministério da Agricultura na semana passada.Nesta semana, Luis Gualberto Ferreira, presidente da Copervale (preso durante a Operação Ouro Branco) pediu afastamento do cargo.