Menos alunos carentes na 2ª fase da Fuvest

Renata Cafardo - O Estado de S.Paulo

Dos 37.334 candidatos que farão a prova amanhã, apenas 27,2% deles cursaram todos os anos do ensino médio em escola pública

O número de convocados para a segunda fase da Fuvest que estudaram em escolas públicas caiu neste ano em relação a 2007. A diferença foi pouca, de 0,4 ponto porcentual, mas ocorre no segundo ano de um projeto de inclusão da Universidade de São Paulo (USP) que pretendia aumentar para 50% a quantidade de estudantes do ensino médio público na instituição. A segunda fase da Fuvest começa amanhã, com 37.334 candidatos: 27,2% deles têm esse perfil.Cerca de 25 mil (66,9%) estudaram o ensino médio na rede particular. O restante teve períodos de estudos nos dois tipos de escola. A mesma queda também foi verificada nas inscrições para a Fuvest neste ano; os alunos da rede pública representavam 32,8%, o menor índice desde 2002. Uma das prováveis justificativas, apontada por alunos e especialistas, foi o Programa Universidade para todos (ProUni) que dá bolsas para esses alunos em universidades particulares. O programa de inclusão da USP, chamado Inclusp, começou a funcionar no vestibular de 2007 e aumenta em 3% a nota de alunos da rede pública. "Isso acaba representando menos de um ponto", diz Clayton Lima da Silva, de 23 anos, que prestava Gestão de Políticas Públicas na Fuvest, mas não passou para a segunda fase. Estudante de escola pública na vida toda, Silva conta que aprendeu muito do que sabe no cursinho. "Eu praticamente não tive aulas de química, por exemplo, na escola. O professor nunca aparecia." Ele não acertou nenhuma das dez questões de química da primeira fase. "Os estudantes chegam aqui sem saber ler e interpretar o português. Não sabem também como e o que estudar", diz o coordenador do Cursinho da Poli, Gilberto Giuseponi. O curso tem 80% de seus alunos oriundos de escolas públicas e eles ficam, em média, dois anos por lá até conseguirem uma vaga na universidade. Segundo o coordenador, 10% deles - um índice alto - ingressam na Fuvest.Entre os convocados para a segunda fase, diminuiu também a quantidade de alunos de baixa renda. Em 2007, 22% deles tinham renda familiar de até três salários mínimos. Neste ano, são 13,2%. Procurados pela reportagem, nenhum representante da USP foi encontrado. ÚLTIMA ETAPAA segunda fase é a última etapa do vestibular da Fuvest, um dos mais concorridos do País, que teve neste ano 140 mil inscritos. São 10.302 vagas, sendo 10.202 na USP e 100 na Faculdade Santa Casa. A segunda fase terá cinco dias de provas dissertativas, que acabam na quinta-feira. Os exames começam sempre às 13 horas. A prova de amanhã, de português e redação, é a única obrigatória para todos os candidatos. Cada carreira fará, no máximo, mais três exames. Eles são decididos conforme as áreas dos cursos. Os locais do vestibular não serão necessariamente os mesmos da primeira fase. A Fuvest pede que os candidatos cheguem uma hora antes - principalmente porque há previsão de chuva para o horário do início da prova amanhã. Entre os convocados, 52,8% são homens. A maioria deles tem 18 ou 19 anos. O perfil socioeconômico elaborado pela Fuvest mostra ainda que 39,1% não fizeram cursinho pré-vestibular e que 47,5% participam da prova pela primeira vez neste ano. Outros 3,9% já a fizeram quatro vezes ou mais.