Medo de contágio tira aluna da escola

Marici Capitelli - O Estado de S.Paulo

Diretora teria negado matrícula a doente

Aos 16 anos, Alessandra Mendes Batista está fora da escola. Portadora de anemia falciforme, ela e a família acusam a direção da Escola Estadual Professor Josué Benedito Mendes, em Osasco (SP), de negar-se a aceitá-la, alegando que a doença é contagiosa. A Secretaria de Estado da Educação nega.No ano passado, segundo os parentes, por sugestão da direção da escola, a estudante saiu do colégio por causa dos problemas de saúde que deixam a pele e os olhos muito amarelados. Ela chegou a sofrer três espancamentos de colegas, que tinham medo de contágio. "Ouvi várias vezes da diretora que ?lugar de doente é no hospital? e que eu vou contaminar todo mundo", conta Alessandra.Segundo a tia, Vera Xavier, Alessandra começou então a estudar no bairro vizinho. Na nova escola, não passou por constrangimentos. Mas não conseguiu terminar o ano letivo porque seu estado de saúde se agravou e ela foi internada.Em outubro, a mãe pediu transferência de volta à EE Prof. Josué Mendes, porque a filha não tinha condições de andar quase uma hora até a outra escola. Mais uma vez, a família alega que a direção não aceitou a matrícula."É uma doença hereditária, não existe risco de contágio", diz Rodofo Delfini Cançado, professor de Hematologia e Oncologia da Santa Casa. A Associação Pró-Falcêmicos (Aprofe) afirma que esse tipo de preconceito é comum e que fornece laudos para que os pais apresentem às escolas.A secretaria de Educação afirma que a moça jamais foi discriminada e que, para o órgão, consta abandono de ensino, já que sua matrícula não foi refeita.