Medicina e agronomia lideram pesquisas

Brasília - O Estado de S.Paulo

MCT e CNPq apontam descentralização regional, com Centro-Oeste, Nordeste e Norte crescendo 17% em 2 anos

A maioria das pesquisas científicas brasileiras, espalhada por 403 instituições, concentra-se nas áreas de medicina e agronomia. Há uma pequena, mas constante descentralização regional da pesquisa, com o Centro-Oeste, Nordeste e Norte crescendo 17% nos últimos dois anos, ante 5% no Sul-Sudeste. As mulheres cientistas (48%), além de quase empatarem em quantidade com o número de homens (52%), lideram cada vez mais os grupos de pesquisa (43%) - ante 57% de grupos liderados por homens. Veja números do censo Esse retrato da pesquisa e dos pesquisadores foi divulgado ontem pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq). O censo, intitulado Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, é realizado de dois em dois anos desde 1992. O censo 2006 mostra que há hoje 90.320 pesquisadores em atividade no País, além de 128.969 estudantes envolvidos nos 21 mil grupos de pesquisa. Ao todo, foram registradas 76.719 linhas de pesquisa, com medicina (4.928) e agronomia (4.363) liderando o trabalho científico (12%). Pela ordem de quantidades de linhas de pesquisa, seguem-se educação (3.897), química (3.606) e física (2.794). A idade média dos pesquisadores, homens e mulheres, é de 44 anos desde o primeiro censo em 1993. Do total de pesquisadores, 64% são doutores (57,5 mil). As ciências exatas e da terra (83%), as ciência biológicas (79%) e as ciências agrárias (75%) têm os mais altos índices de doutores envolvidos nas pesquisas. Entre os censos de 2004 e 2006, o Brasil incluiu 10 mil novos doutores ao cenário da produção científica. Apesar da registrada descentralização, com a região Norte, sozinha, registrando 21% de crescimento, o Sudeste ainda concentra (50,4%) das pesquisas científicas do País. Pela ordem, essa distribuição, segundo o Censo 2006, está assim: Sul, 23,6%; Nordeste, 15,5%; Centro-Oeste, 6,1%; Norte, 4,4%. Por Estado, a liderança é de São Paulo, com 27% dos grupos de pesquisa, seguido do Rio (13,2%), Rio Grande do Sul (10,4%), Minas Gerais (9,1%), Paraná (8,1%), Santa Catarina (5,1%), Bahia (4,6%), Pernambuco (3,2%), DF (2,1%) e Ceará (2%). Os demais Estados concentram menos de 2% dos grupos de pesquisa. Segundo o censo, há no País, ao todo, 129 mil estudantes envolvidos com a pesquisa. Sozinha, a USP concentra 8,5% dos grupos de pesquisa, seguida da Unesp com 3,7%. As demais instituições dividem-se assim: UFRJ, 4,1%; UFMG, 3,1%; Unicamp, 3%; UFRGS, 2,6% e UFSC, 2%. As demais têm menos de 2% de participação.