Marina quer que petróleo financie meio ambiente

Rui Nogueira - O Estado de S.Paulo

Ministra surpreende colegas em reunião convocada por Lula e sugere aplicação de royalties para criação de fundo de combate ao aquecimento

A Petrobrás ainda não sabe nem como nem quando vai começar a explorar o megapoço de petróleo de Tupi, mas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, surpreendeu ontem a equipe econômica com uma proposta especial durante uma reunião convocada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na reunião, para tratar do Plano Nacional de Mudanças Climáticas e preparar o governo para a 13ª Conferência das Partes da Convenção do Clima, marcada para o próximo mês, em Bali (Indonésia), a ministra propôs a criação de um fundo especial com parte do dinheiro da fartura de impostos e royalties que o governo federal vai arrecadar da indústria de exploração e exportação de petróleo. O fundo serviria para financiar soluções de combate ao desmatamento e ao aquecimento global, contribuindo assim para a estabilização climática. Além da criação do fundo, ficou decidido na reunião que o governo vai formar um comitê interministerial só para propor soluções e, ao mesmo tempo, monitorar a execução de cada uma das medidas implementadas. A criação do fundo com dinheiro dos royalties do petróleo não foi rejeitada - a descoberta de Tupi foi anunciada oficialmente na semana passada, e o poço pode ter entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo. O Estado apurou com dois dos ministros que participaram do encontro de ontem que o Planalto fez apenas uma ponderação: que antes de criar o fundo fosse constituído o comitê interministerial para que ficasse claro onde e como o dinheiro dos royalties será investido. O Planalto vai continuar a discutir as propostas da ministra Marina Silva, mas a intenção é que o governo chegue com algumas decisões "concretas e surpreendentes" à reunião de Bali. Há uma grande expectativa sobre o que os delegados brasileiros vão dizer na Indonésia porque, na abertura da Assembléia-Geral da ONU, em setembro passado, em Nova York, o presidente Lula disse que o enfrentamento dos problemas climáticos também é de responsabilidade dos países emergentes.