Mamãe a bordo

- O Estado de S.Paulo

Cadê a campainha de emergência?

Os primeiros dias do pós-parto dão a falsa idéia de que cuidar de um bebê é moleza. Com remédios administrados a cada hora, as enfermeiras nos fazem esquecer a dor. Além disso, nos acompanham na troca de fraldas, no banho, e, se o bebê chora um pouco além da conta, basta apertar a campainha para que um batalhão de profissionais surja no meio da noite. Por um lado, isso foi muito importante para que eu acumulasse uma boa dose de autoconfiança e saísse do hospital disposta a fazer tudo dar certo dentro de casa.Mas a sensação de tranqüilidade passou logo. Nem a presença de familiares e da babá aplacou o meu estresse. Percebi que toda a minha experiência de vida não atendia aos requisitos da maternidade. Trocar a fralda, sozinha, exigia habilidades até então desconhecidas. E a incapacidade de dar o 1º banho provocou uma crise nervosa.Nenhuma dessas situações, entretanto, se compara à 1ª noite com o novo hóspede. Acordava de hora em hora por causa do choro ou de um suspiro mais forte. Um acesso de soluços me deixou em prantos e só me acalmei após telefonar para a maternidade e descobrir que isso é absolutamente normal. Meu dia começou a ser programado em função das mamadas, sonecas, banhos e trocas de fraldas do bebê. E nem falei da dor. Sem os medicamentos dados pelas enfermeiras, passei a sentir pontadas fortíssimas no corpo.Tem sido exaustivo, mas ao mesmo tempo extremamente prazeroso. Com duas semanas de vida, meu filho já é um grande desafio. Ao me ensinar algo novo a cada dia, me faz entender por que a vida vale a pena. Mesmo sem campainha de emergência.Jornalista e mãe de primeira viagem