Mais do que a contracepção

- O Estado de S.Paulo

Hoje, as pílulas ajudam até contra a TPM. Mas é preciso conhecer melhor os efeitos colaterais

Para as mulheres de hoje, as pílulas são muito mais do que aliadas contra a gravidez indesejada. Atualmente, todos os anticoncepcionais têm outras funções, que vão desde a melhora da pele ao alívio nos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM). A produtora de eventos Brisa Vicente, de 22 anos, gasta de R$ 38 a R$ 42 em um dos mais modernos anticoncepcionais do mercado, à base do hormônio drospirenona – um derivado do diurético espironolactona – para deixar a sua pele fina e macia."Notei que, desde que comecei a usar, há quatro anos, meu rosto adquiriu um aspecto mais liso", diz Brisa, que antes reclamava das espinhas e da oleosidade excessiva. "Até poderia trocar por uma pílula mais barata, mas fico com essa pelos benefícios que trouxe à minha pele."A última novidade é uma pílula, também à base de drospirenona, que alivia os sintomas de TPM moderada e severa. Em um estudo clínico feito com 450 mulheres com idade entre 18 e 40 anos e diagnóstico de TPM severa, o novo medicamento conseguiu reduzir os sintomas severos pela metade em 48% das mulheres. "Além disso, ela pode melhorar a acne e é tão eficaz na contracepção quanto qualquer outra pílula", diz o ginecologista Carlos Petta, professor do Departamento de Ginecologia da Unicamp.Quando os anticoncepcionais foram criados, não se sabia sobre seus efeitos secundários. Mas, com o passar dos anos, especialistas observaram que eles (qualquer um, não só os modernos) poderiam diminuir a incidência do câncer de ovário. "Em repouso, o ovário não sofre traumas com a ovulação", explica o ginecologista Rosires de Andrade, professor titular do Departamento de Toco-Ginecologia da Universidade Federal do Paraná.Acredita-se também que todas as pílulas anticoncepcionais tenham ação contra o câncer de endométrio e diminuam as chances de desenvolvimento de endometriose, uma vez que o endométrio sofre certa atrofia.Mas, como qualquer medicamento, elas também carregam seus efeitos colaterais. Náuseas, cefaléias e dores nos seios estão entre os mais amenos. Em mulheres acima dos 40 anos que têm fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo, elas podem causar eventos como trombose, enfarte e derrame.Se a mulher não apresenta fatores de risco, é possível usar uma só pílula para várias soluções. "Com certeza é mais vantajoso escolher uma pílula com vários efeitos benéficos secundários, uma vez que todas funcionam como anticoncepcionais", aconselha Andrade.