Lotes de leite longa-vida são suspensos nacionalmente

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Laudos não constataram água oxigenada e soda cáustica, mas havia sódio e sacarose, proibidos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou para todo País a interdição dos 19 lotes de leite das marcas Calu, Centenário e Parmalat apreendidos pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais na quinta-feira, em Belo Horizonte. O anúncio foi feito ontem, baseado em laudos emitidos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) que apontaram a presença de sódio e sacarose, substâncias não permitidas pela legislação brasileira, além de outros aspectos em desacordo com "padrões de identidade e qualidade". Nenhuma das amostras, no entanto, apresentaram indícios de soda cáustica e água oxigenada misturadas ao produto, segundo a Anvisa.Para evitar questionamentos das empresas, os laudos da Funed foram submetidos à avaliação da Câmara Técnica de Alimentos (CTA) da Anvisa, composta por especialistas em segurança alimentar.Duas resoluções da agência determinando a interdição cautelar dos lotes serão publicadas no Diário Oficial da União (DOU) de segunda-feira.De acordo com a agência, os estoques dos leites que serão interditados não podem ser comercializados nem devem estar acessíveis à população nos pontos-de-venda. As informações sobre o lote e o prazo de validade do leite podem ser conferidas no rótulo do produto.O consumidor que tiver adquirido leite cujo lote está interditado não deve consumir o produto.As autoridades sanitárias informam que a população pode levar os produtos interditados aos locais em que foram comprados ou encaminhar à Vigilância Sanitária estadual ou municipal. Em caso de sintomas inesperados, o consumidor deve procurar orientação médica. Mais informações sobre o leite podem ser obtidas na Ouvidoria da Anvisa, pelo e-mail: ouvidoria@anvisa.gov.br.Para o presidente do conselho administrativo da Parmalat, Marcus Elias, os testes feitos pela secretaria de Estado de Saúde de Minas não podem ser conclusivos pois estão em desacordo com as orientações do próprio Ministério da Agricultura.