Lista Vermelha aponta 16 mil espécies ameaçadas de extinção

- O Estado de S.Paulo

A mais recente relação da União Mundial para a Natureza aponta 188 animais a mais do que no ano passado

Genebra - Os gorilas têm uma vida emocional rica e compartilham fortes laços familiares. Eles riem quando sentem cócegas, choram quando em luto. Podem construir e usar ferramentas. Pensam sobre o passado e planejam o futuro. Mas muitos podem não chegar a conhecê-lo. Veja galeria de imagens O gorila ocidental das planícies (Gorilla gorilla gorilla), o mais comum, está criticamente ameaçado de extinção. É apenas uma categoria antes da "extinto da natureza". O vírus Ebola dizima atualmente as populações ainda existentes do animal num nível que pode tornar impossível sua recuperação. O problema é agravado por outras ameaças, como caça comercial e perda de hábitat. "Os grandes primatas são nossos parentes mais próximos e criaturas muito especiais", afirma Russ Mittermeier, chefe do grupo de primatas da União Mundial para a Natureza (IUCN). "Hoje podemos colocar os que restaram em dois ou três grandes estádios de futebol. Não sobraram muitos." Essa é apenas uma das más notícias que aparecem na nova versão da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, organizada anualmente pela IUCN. Ela conta 16.306 espécies em risco - 188 a mais do que no ano passado. Um em cada quatro mamíferos está ameaçado, assim como uma em cada oito aves, um terço de todos os anfíbios e 70% das plantas já catalogadas. "A vida na Terra está desaparecendo rapidamente e assim continuará a acontecer a não ser que uma ação urgente seja tomada", alertou a organização em um comunicado. Segundo ela, as ações de conservação tomadas até agora se mostraram insuficientes. CONHECIMENTO A lista inteira contém mais de 41 mil espécies e subespécies de todo o globo, em diferentes estados de conservação. Ela é resultado do monitoramento feito por milhares de especialistas de diferentes países. Uma planta foi inserida entre os extintos, a Begonia eiromischa, natural da Malásia e vista pela última vez em 1898. Com ela, a IUCN indica que 785 espécies desapareceram nos últimos 500 anos, como a brasileira ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Outras 65 resistem apenas em cativeiro, como zoológicos. Mais espécies que ocorrem no Brasil foram incluídas na nova lista sob os estados de ameaçadas e criticamente ameaçadas. É o caso da coruja caburé-de-Pernambuco (Glaucidium mooreorum) e da raia-viola (Rhinobatos horkelii). Outras, como o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) e o marinho (Trichechus manatus), entram como vulneráveis. Segundo a professora Zelinda Leão, da Universidade Federal da Bahia, o acúmulo de conhecimento faz com que a lista aumente ano a ano. Porém, a pesquisa não é responsável pelo agravamento do estado de conservação. "Temos chance de saber mais sobre as espécies com os levantamentos - e ainda há áreas totalmente desconhecidas. Mas também as ameaças crescem."