Líder é veterano de paralisações

- O Estado de S.Paulo

Magno de Carvalho, de 62 anos, organizou sua 1.ª greve na USP em 1978

O principal líder das manifestações e greves na Universidade de São Paulo (USP), Magno de Carvalho, tem 62 anos, dos quais 31 anos de militância sindical. Está também entre as principais lideranças da atual paralisação dos funcionários, que já dura cerca de um mês.Presidente e fundador do Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), o fotógrafo especializado em cinema da Escola de Comunicações e Artes (ECA) se mudou de Salvador (BA) para São Paulo para ser militante após o melhor amigo ser morto pela polícia, durante a ditadura. Mal chegou e foi preso na invasão da polícia no Teatro Tuca, da PUC-SP, em 1977. "Eu nem era mais estudante nem era da PUC, mas fui preso. Estava com a minha companheira na época, que era aluna", conta.Virou especialista em greves e manifestações. Foi preso outras vezes, resistiu à prisão em algumas. Organizou sua primeira greve na USP por reajuste salarial em 1978, um ano após entrar na instituição. "Na época, o sindicato estava proibido, então construímos um movimento para procurar apoio em todas as esferas do funcionalismo. Queriam mandar prender a gente. Isso resultou na primeira grande greve, simultânea à paralisação dos operários em São Bernardo." Depois disso, ele participou ativamente de todos os movimentos que se seguiram dentro da universidade: a grande greve em 1981, outra forte paralisação em 1988, que resultou na mudança do estatuto da universidade. Organizou todas as paralisações dos anos 1990 e foi peça ativa na invasão da reitoria por 50 dias em 2007, exercendo direta influência no comportamento dos alunos. Virou uma figura respeitada por parte da comunidade e também odiada por muitos, principalmente pelos reitores que passaram pela universidade nessas três décadas. Além disso, paralelo à trajetória no movimento uspiano, fez parte da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980 e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983. Nos anos 1990, no entanto, rompeu com a CUT e com o PT. "Desde então não sou filiado e não tenho ligação com nenhum partido", afirma, negando que faça parte do PSTU, partido influente em parte dos setores identificados com a esquerda na universidade. "Na diretoria do sindicato há alguns integrantes que são filiados a partidos, é verdade."Em suas reivindicações, dificilmente há apenas reajuste salarial - na maioria das vezes apresenta uma pauta enorme, onde aparecem constantemente os pedidos por mais democracia, mais recursos para a universidade e benefícios para funcionários e alunos. "Minhas greves nunca são só por salário. Entendo que é preciso defender e construir uma universidade pública de qualidade, o que está cada vez mais difícil." De seus quatro filhos, apenas a mais nova, de 18 anos, entrou na USP e cursa Biologia. "Todos estudaram em escola pública. Ela conseguiu passar aqui porque teve sorte de ser sorteada para a Escola de Aplicação", diz. "Está seguindo os passos e já é militante."