Líder da Renascer se apresenta para cumprir pena nos EUA

Patrícia Campos Mello - O Estado de S.Paulo

Estevam Hernandes ficará 5 meses na prisão e outros 5 detido em casa

Washington - Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer, entregou-se ontem, por volta das 11 horas no centro de detenção de Miami, nos EUA, onde irá cumprir cinco meses de prisão. Hernandes foi acompanhado de sua mulher Sonia e dos filhos do casal.Condenada a cinco meses de prisão domiciliar, Sonia foi liberada apenas para acompanhar o marido.Enquanto Hernandes estiver preso, ela cumprirá prisão domiciliar. Em janeiro as punições se invertem, Sonia vai para o presídio e Hernandes volta para casa para cumprir a prisão domiciliar, em uma punição total de 10 meses para os dois.Hernandes chegou ao centro de detenção levando uma sacola com itens pessoais, entre eles um exemplar da Bíblia e remédios. O juiz ainda não determinou onde ele vai cumprir a pena, mas será em alguma prisão de Miami.Os Hernandes foram condenados na sexta-feira por terem tentado entrar no país com US$ 56.367 não declarados em 9 de janeiro. Além da pena, ficarão por dois anos sob liberdade vigiada, período durante o qual não poderão deixar os EUA. O juiz Federico Moreno, da Corte Federal dos Estados Unidos, também determinou o confisco do dinheiro apreendido no momento da detenção do casal no Aeroporto de Miami e mais uma multa de US$ 30 mil para cada um. "Não estou levando em consideração as fraudes no Brasil", esclareceu o juiz no dia do julgamento, referindo-se aos crimes de que os Hernandes são acusados no País. "Deixo isso com as autoridades brasileiras."ACORDOEm junho, o casal fechou um acordo com a Justiça americana para evitar o julgamento por júri popular. Dessa forma, confessaram ter cometido os crimes relacionados a evasão de divisas e garantiram uma pena menor. Se tivessem ido a júri popular, poderiam ter sido condenados a até dez anos de prisão.A sentença provocou muito choro no casal. Na ocasião, Sonia declarou que estava "profundamente arrependida" e seu marido afirmou que causou sofrimento a "milhões de pessoas" que acreditam na igreja.