Latinos são destaque no Festival de Berlim

Luiz Carlos Merten, BERLIM - O Estado de S.Paulo

Dois filmes da América do Sul participaram da competição no 59º Festival de Berlim, o peruano La Teta Assustada, de Claudia Llosa, e o uruguaio Gigante, dirigido pelo argentino Adrian Biniez. Ambos transformaram ontem a premiação do evento numa festa latina. O drama peruano La Teta Assustada, de Claudia Llosa, repetiu a vitória do Brasil no ano passado, com Tropa de Elite, e recebeu o Urso de Ouro. Na sexta-feira, Claudia já havia recebido o prêmio da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica (Fipresci). Ontem, a diretora fez um discurso emocionado, dedicando seu prêmio ao Peru. Foi seguida pela atriz Magaly Soler, que fez seu agradecimento em Quíchua, língua dominante da população indígena do país. La Teta Assustada trabalha com rigor documentário temas que poderiam levar a um tipo de realismo mágico - a personagem é uma mulher que introduz uma batata na vagina, para evitar que ocorra com ela o mesmo que houve com sua mãe (um estupro) e a batata não cessa de lançar raízes em seu interior. O segundo concorrente latino (e sul-americano), Gigante ganhou três prêmios importantes, o de melhor longa de diretor estreante, o Prêmio Especial Alfred Bauer - que contempla uma obra inovadora - (dividido com Tatarak, do mestre polonês Andrzej Wajda), e o Grande Prêmio do júri. Ao subir ao palco do palácio da Berlinale pela terceira vez, o diretor disse que não sabia mais a quem agradecer. "Quero minha mãe", ele gritou. O público quase veio abaixo. O melhor ator foi Sotigui Kouyate, pelo filme London River, do franco-argelino Rachid Bashidi. Kouyate fez o mais longo agradecimento da história da premiação - foram quase 15 minutos para expressar as semelhanças e diferenças culturais entre a África e o Ocidente.A melhor atriz foi a alemã Birgit Minichamyr, pelo drama Alle Anderen (Everyone Else), de Maren Ade, e o melhor diretor foi o iraniano Ashgar Fahady, por About Elly.