Lar britânico consegue cortar contas pela metade

THE GUARDIAN - O Estado de S.Paulo

Ao seguir dicas de órgão do governo, dona de casa tornou-se ?verde?

Quando Rose Watson se mudou para sua casa em Nottingham, há nove anos, não havia aquecimento central, o aquecedor a gás da sala vazava e qualquer calor saía pelas janelas. Sua conta de gás era caríssima e a prioridade era lutar para manter a casa aquecida, sem se ligar para a pegada de carbono. Ela não se importava em ir de carro até as lojas perto de casa e seus filhos deixavam aparelhos eletrônicos ligados quando não estavam usando.

Cansada das contas altas, ela resolveu participar de uma pesquisa por telefone sobre uso de energia. Em troca de responder a algumas perguntas, ela ganharia lâmpadas econômicas e dicas sobre como tornar seu lar ecologicamente correto. Desde 2007, ao seguir as dicas, Rose reformou a casa, melhorando o isolamento térmico. Como resultado, a conta de eletricidade caiu a menos da metade e a do gás, a quase pela metade.

O consumo residencial de energia representa mais de 25% das emissões de carbono no Reino Unido, portanto as casas que seguirem medidas de conservação de energia terão papel importante em uma campanha que pretende reduzir em 10% as emissões do país em 2010. Melhorar a eficiência energética de casa é uma maneira simples de cortar boa parte de sua pegada de carbono.

E de economizar, como descobriu Rose. Seus filhos também foram treinados: eles não deixam mais nenhum aparelho em "standby". "Assim que eles param de usar, eles desligam, tirando da tomada", conta ela. Seu filho de 7 anos, Kaiyus, diz que "se uma luz está acesa em um quarto vazio, eu vou lá e desligo". A água também é poupada, com cuidados como diminuir os ciclos da máquina de lavar e a troca de banhos de banheira pelo chuveiro. O uso do carro também foi racionado. Agora, para ir às lojas do bairro, é na base da bicicleta ou da caminhada. E quando seu filho Kasheme, de 13 anos, precisa ir ao treino de futebol, uma carona é arranjada na vizinhança.

Rose crê que sua mãe nunca a ensinou a economizar energia porque isso não fazia parte do estilo de vida da época. Ela também afirma que "se uma família consegue fazê-lo, "cem mais também conseguem".

Caroline Rams, do Energy Saving Trust (EST), órgão governamental criado após a Eco-92 que deu as dicas a Rose, diz que os Watson são um exemplo do que uma família britânica pode fazer quando se dedica a cortar emissões de carbono. "Rose tem uma vida corrida e uma família grande, mas ela sempre encontra tempo para fazer da economia de energia uma prioridade, de tal forma que se tornou algo natural. É o exemplo perfeito de como é possível se tornar ?verde? sem mudar muito seu estilo de vida." Mas a própria Rose se diz pragmática: "Não penso que devo salvar o mundo. Penso primeiro no meu bolso."