Jovem chegou a dar aulas em 3 colégios no mesmo dia

Fabio Mazzitelli - O Estado de S.Paulo

Temporário desde que se formou, professor de História diz ser favorável aos concursos públicos

A vida de temporário do professor Joilson de Araújo Martins Andrade Silva, de 26 anos, começou em 2006 na rede estadual paulista. Na época, recém-formado em História pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Joilson conseguiu só duas aulas semanais, em duas escolas estaduais diferentes. No ano seguinte, alcançou um recorde pessoal inesquecível para ele: 29 aulas em cinco colégios diferentes, com três destinos distintos num mesmo dia.O caráter precário do cargo e a falta de vínculo do temporário com a comunidade escolar são os pontos que mais preocupam o jovem docente, que em 2008 concluiu o curso de Filosofia numa faculdade da capital.Com dois diplomas, Joilson conseguiu pegar 32 aulas semanais numa mesma escola, na zona sul, região em que mora. Mas nem assim se sente tranquilo."Em metade das minhas aulas, substituo um vice-diretor. Se ele sair do cargo e voltar para as aulas, eu perco."Joilson foi bem na prova de seleção dos temporários, que valeria para a classificação dos professores até a Justiça invalidar os resultados. Na prova de História, fez 64 dos 80 pontos; em Filosofia, foram 57 acertos. "Em história, ficaria em 18º lugar. Mesmo assim, sou a favor do concurso público", diz. "A escola perde muito com essa grande quantidade de temporários porque a rotatividade é maior. Nunca é a mesma escola."Egresso de escolas públicas e casado com uma professora, temporária como ele, Joilson ainda não teve a oportunidade de se efetivar - o último concurso para professor de História foi em 2004, e para Filosofia, em 2007. Mas, como agora trabalha na mesma escola em que estava lotado no ano passado e na qual completou o ensino médio, guarda muitas esperanças."É legal mostrar (para a comunidade) que o professor é um exemplo. Sempre estudei em escola pública e fiz universidade pública, o que amplia o seu universo cultural. Os alunos não pensam em USP, Unesp e Unicamp nem fazem diferença entre faculdade e universidade. Agora, alguns já falam em fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)", conta.