Irmã Dulce é reconhecida como venerável pelo Vaticano

Tiago Décimo, SALVADOR - O Estado de S.Paulo

Título é o 2.º passo no processo de beatificação da religiosa brasileira, que começou em janeiro de 2000

A Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano, anunciou ontem ter reconhecido como venerável a religiosa baiana Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã Dulce, morta em 1992, aos 77 anos. O título, pelo qual a Igreja reconhece que o candidato teve uma vida de "virtude heroica", é o segundo passo no processo de beatificação da freira, que corre desde janeiro de 2000. Naquele ano, ela foi declarada serva de Deus pelo papa João Paulo II. A decisão da congregação, formada por cardeais, bispos e teólogos, começou a ser tomada em 15 de abril do ano passado, depois de o colegiado do órgão ter aprovado, por unanimidade, o positio - documento canônico que reúne relato biográfico, das virtudes, e resumo de testemunhos -, enviado a eles em junho de 2003. Passada a validação pelo colegiado, o processo ainda foi analisado por oito teólogos, antes da confirmação, mais uma vez unânime. No documento encaminhado para assinatura do papa Bento XVI, que vai tornar oficial a decisão, Irmã Dulce, que era chamada de "mãe dos pobres", é apontada como "a Madre Teresa do Brasil", pelas semelhanças de sua história com a da beata de Calcutá. "Foi um conforto para os pobres e um exame de consciência para os ricos", diz o texto. Segundo o padre italiano Paolo Lombardo, postulador do processo de beatificação da religiosa, que coincidentemente está em Salvador, agora a Igreja avalia milagres por intercessão de Irmã Dulce. "Esperamos que no ano que vem, mais tardar em 2011, ela seja beatificada." Depois disso, abre-se novo processo para que Irmã Dulce seja considerada santa. A diretora-geral das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), Maria Rita Pontes, sobrinha da religiosa, afirma que o reconhecimento da tia como venerável é motivo suficiente para muita comemoração. "O milagre acontece depois da morte, mas a santidade vem durante a vida", acredita. "Com o título, o Vaticano reconheceu a santidade em vida de Irmã Dulce." A religiosa ganhou notoriedade internacional por causa das ações de caridade, sobretudo aos doentes, que promoveu desde a adolescência, na Bahia e em Sergipe. No momento, o Brasil tem mais três religiosas consideradas veneráveis pelo Vaticano: madre Teodora Voiron (reconhecida em fevereiro de 1989), madre Antonieta Farani (em junho de 1992) e madre Bárbara Maix (em julho do ano passado).