Instrumentos musicais feitos a partir do lixo

André Oliveira* - O Estado de S.Paulo

Um grupo de músicos de Paranapiacaba, subdistrito de Santo André, no ABC paulista, incentiva pessoas carentes a aprender música e arte com instrumentos produzidos a partir de material jogado no lixo. "Qualquer objeto pode ser transformado em instrumento, desde um cano de PVC até uma latinha de azeite", garante Valter Jursys, de 31 anos, idealizador do Sons e Tons da Terra. No início, há pouco mais de seis anos, os músicos faziam apenas instrumentos de percussão. Hoje, eles criam violinos, contrabaixos e até violoncelo. "Todos os nossos instrumentos têm a textura e os tons dos originais", afirma Jursys. O líder do Sons e Tons da Terra conta que as peças produzidas pelo grupo são inspiradas em instrumentos comuns, como violões e flautas. Porém, há invenções como um contrabaixo idealizado a partir de um tambor. Primeiro, ele desenhou o que seria um dos principais instrumentos do grupo. Jursys acredita que o trabalho pode ajudar pessoas que têm vontade de aprender música, mas não dispõem de dinheiro para comprar o instrumento. "Um violino, por exemplo, pode ser feito com uma lata de azeite, um pedaço de cabo de vassoura, um pequeno bambu e as antigas cordas de uma guitarra ou de um violão." O material utilizado varia: latas de refrigerante, de tinta e de azeite, bambus e até cabo de vassoura. "Gosto mais de usar canos de PVC e tubos de papel, que são excelentes caixas de ressonância", diz Jursys. Henry Wensen, de 47 anos, diretor do Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), organização não-governamental que premia trabalhos de incentivo à preservação da natureza, elogia projetos como o desenvolvido pelo grupo de Paranapiacaba. Wensen explica que uma das vantagens é a utilização de material que normalmente iria para o lixo. O diretor da ONG diz que a atuação do grupo dá a oportunidade de as pessoas aprenderem a tocar e a construir, tornando mais barato o processo. "É incrível ver aqueles instrumentos tão estranhos com um som tão impressionante." Sons e Tons da Terra tem um ateliê em Paranapiacaba, onde mantém uma iniciativa batizada de Jardim Sonoro. O projeto conta com o apoio da prefeitura de Santo André para ensinar crianças a criar instrumentos com formatos de animais e flores, por exemplo. O Jardim Sonoro atende prioritariamente crianças de uma creche, mas todos podem participar. O grupo de Paranapiacaba também divide sua experiência com órgãos públicos e privados, ensinando a construir e a tocar instrumentos feitos de materiais reaproveitados. Quem quiser conhecer melhor o projeto do Sons e Tons da Terra pode entrar em contato pelo telefone (0--11) 4439-0065. *André Luiz Silva Oliveira é aluno do Centro Universitário Sant''''Anna