Instituição tem curso bem avaliado por educadores

- O Estado de S.Paulo

O programa Teia do Saber foi criado em 2003 durante a gestão do então secretário da Educação, Gabriel Chalita. O objetivo era oferecer capacitação aos professores que trabalham nas escolas da rede para atualização de metodologias, conhecimento de novas tecnologias, entre outros. Para isso, instituições de ensino superior passaram a ser contratadas por meio de pregão. As concorrências são realizadas pelas diretorias de ensino, espécie de sucursais da Secretaria da Educação em cada região do Estado. Os contratos com o Instituto Japi foram feitos nas gestões de Chalita e de Maria Lúcia Vasconcelos. A atual secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, só assumiu em julho de 2007. Apesar de os cursos da Teia do Saber estarem programados para começar no fim de setembro, ainda não foram realizadas as concorrências deste ano. Entre 2003 e 2006, os cursos tiveram 94.610 alunos, com 599 contratações de instituições. Entre as que ofereceram capacitação estão instituições públicas, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Muitos dos cursos são dados aos sábados, sempre no segundo semestre do ano. MARKETING A assessora da Coordenadoria de Especialização e Aperfeiçoamento da PUC-SP, Maria Isabel Machado, que participa dos pregões desde 2003, acredita que há instituições que encaram como marketing fazer parte do programa do governo. "Hoje, com o crescimento do ingresso de alunos de escola pública nas universidades privadas, muitas consideram que o professor pode influenciar os seus alunos a também estudar na instituição onde ele fez capacitação", diz. Essa é a razão, segundo ela, dos preços tão baixos oferecidos por algumas delas para vencer os pregões. "Já vi pregoeiros dizerem que não permitiriam lances mais baixos que um determinado valor para não comprometer o serviço educacional que seria prestado." Maria Isabel diz que a base do orçamento dos cursos é o pagamento do professor. A PUC-SP paga R$ 100 por hora de trabalho dos docentes, que são doutores. Educadoras de escolas de Jundiaí ouvidas pelo Estado que fizeram os cursos do Japi não reclamam. "As professoras eram boas. A única diferença com relação à Unicamp era a estrutura, como biblioteca, que era pior", diz a professora de Língua Portuguesa que pediu para não divulgar seu nome. Em Jundiaí, o Instituto Japi ficou conhecido como a "faculdade da ex-secretária Rose Neubauer". Além de cursos para professores, oferece graduação em Letras, Pedagogia, Administração e Engenharia Química. Moradores contam que a instituição cresceu nos últimos anos. O prédio fica em um bairro calmo e tradicional da cidade.