Imunização está distante, diz especialista

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Entre os obstáculos estão a baixa produção e as dúvidas sobre a eficiência

Há ainda um bom caminho a percorrer até se chegar a uma vacina comprovadamente eficaz contra a gripe suína, admite o gerente de Vigilância em Saúde, Prevenção e Controle de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde, Jarbas Barbosa. Apesar de as pesquisas terem começado logo após o vírus ser identificado, é consenso entre especialistas que, por enquanto, a estratégia de vacina somente poderá ser adotada em médio prazo. Até lá, os caminhos para enfrentar a doença devem ser baseados nos recursos disponíveis. "Por precaução, as pesquisas foram iniciadas. A estratégia é enviar os lotes-sementes dos insumos para os centros produtores. Esses lotes seriam usados caso necessário", diz o infectologista. Mas, para isso, uma série de etapas teria de ser cumprida. Algo que a experiência com outra vacina, a desenvolvida para a gripe aviária, já mostrou não ser fácil. Depois de muita pesquisa, ela apresentou eficácia reduzida. "Mesmo entre vacinas sazonais, há uma inconstância nos resultados. Para algumas cepas, a imunização é muito boa. Para outras, o resultado é bem mais limitado." Essas dificuldades do passado, avaliou Barbosa, mostram que não é prudente depositar todas as esperanças na vacina contra o vírus A (H1N1). "Sobretudo porque temos outros trunfos", completou. Entre eles, o medicamento antiviral oseltamivir, eficiente no tratamento.Há outro problema. Como não se sabe a real agressividade do A (H1N1), é preciso pesar prós e contras antes de interromper a produção da vacina sazonal. "Não há como produzir as duas simultaneamente", explicou. Para escapar desse impasse, desde que o A (H1N1) foi isolado, pesquisadores iniciaram também estudos para verificar a possibilidade de desenvolverem a vacina usando a técnica de recombinação genética, a mesma adotada para a vacina contra a hepatite B. A dificuldade em frear a produção da vacina contra a gripe sazonal é baseada na quantidade de mortes causadas pela doença todos os anos - até 500 mil. Além disso, ela é considerada aliada importante na detecção precoce do A (H1N1). Como os sintomas da influenza sazonal e da gripe suína são similares, quanto menos pessoas contaminadas pela gripe comum, mais fácil é, para serviços de vigilância, identificar pacientes da gripe suína. Além disso, evita-se o risco de uma pessoa ser contaminada simultaneamente pelos dois tipos de vírus. "Em casos de coinfecção, há o risco de ocorrer uma mutação do vírus da gripe suína. Quanto menos o vírus da influenza sazonal circular, menor será esse risco", completou.Atualmente, a produção de vacina sazonal é de 500 milhões de doses anuais. Embora haja interesse de ampliar a população vacinada, Barbosa diz que a capacidade de produção é limitada. "O processo de produção é complicado. Depende do uso de ovos de galinha, o que impede uma ampliação repentina."Anteontem, a Anvisa intensificou a atuação nas fronteiras secas para identificar casos suspeitos entre passageiros de transporte coletivo.