Implantar apenas um embrião é mais eficaz

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Procedimento é melhor em termos de custo e segurança, revela estudo

Transferir para o útero apenas um embrião após a fertilização in vitro e congelar separadamente os restantes para, se necessário, repetir o ciclo é mais seguro, mais eficaz e mais barato para mulheres com menos de 40 anos do que implantar três ou quatro de uma só vez, como ainda se faz na maior parte dos casos hoje em dia, segundo o maior estudo comparativo sobre o tema. A pesquisa, do Instituto de Fertilização da Universidade de Oulu, na Finlândia, analisou dados de 1.510 mulheres que se submeteram a reprodução assistida de 1995 a 1999 e de 2000 a 2004. A constatação foi que implantar um embrião e repetir o ciclo nos meses seguintes com os que foram congelados teve uma taxa de sucesso de 41,7%. A transferência de vários embriões foi bem-sucedida em 36,6% dos casos.Além disso, os médicos evitam riscos e custos de uma gravidez múltipla: mães precisam de repouso por mais tempo, o parto é feito por cesárea, os bebês nascem prematuros e ficam meses nas UTIs neonatais. Crescem chances de infecções e sequelas, como retardo no desenvolvimento.Na Finlândia, Suécia e Bélgica o governo recomenda a transferência de um embrião. Em vários países europeus, são dois. Nos Estados Unidos a média é de dois a três. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina permite até quatro."Combinar a transferência de um embrião com um programa eficiente de congelamento traz melhores resultados", afirma Hannu Martikainen, um dos responsáveis pela pesquisa. "Num momento em que países debatem como reduzir gestações múltiplas, responsáveis por políticas públicas devem prestar atenção nos dados." Os autores sugerem que clínicas adotem a implantação de um embrião como padrão para mulheres até os 40 anos. Devem fazer o congelamento em separado dos embriões - ao contrário do que é feito hoje. Assim, é preciso menos medicação, a estimulação ovariana é feita uma só vez e o custo do congelamento, de cerca de R$ 800, é baixo perto do tratamento total, acima de R$ 12 mil. "Acredito que, com o domínio da técnica de congelamento, muitas clínicas comecem a implantar cada vez menos embriões. Até porque, além dos riscos, muitos casais não querem e não têm condições de ter gêmeos e trigêmeos", afirma Isaac Yadid, da Clínica Huntington do Rio. "Na clínica, estamos tentando fazer isso e orientar os casais."Para Agnaldo Sedenho, coordenador de reprodução humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a tendência é a redução do número, como indica a pesquisa. "No começo, a falta de conhecimento era muito grande e se implantava até cinco ou mais embriões. O conhecimento melhorou, mas o número ainda não caiu tanto", diz. Ele afirma que na Unifesp a média está em 2,5 embriões e que os esforços são para reduzir cada vez mais. Sedenho afirma também que é preciso difundir mais os conhecimentos sobre o tema, tanto para médicos quanto para pacientes. "O lado negativo das práticas atuais, que são os riscos para mãe e bebê, ficam escondidos."