Igreja Ortodoxa reconhece o papa

AFP, Vaticano - O Estado de S.Paulo

Em importante passo para reunificação dos cristãos, grupo do Oriente admitiu pontífice como ?primeiro patriarca?

Os ortodoxos aceitaram deixar de lado parte das divergências históricas com os católicos e reconheceram o papa como o "primeiro patriarca" dos cristãos. No entanto, continuam discordando das prerrogativas do líder máximo da Igreja Católica. Os ortodoxos se separaram dos católicos no século 11.A decisão de reconhecer o papa está em um texto elaborado pela Comissão Mista para o Diálogo Teológico entre Católicos e Ortodoxos, que se reuniu em outubro, na Itália. O documento, no entanto, não foi assinado pela poderosa Igreja Ortodoxa Russa, que abandonou a reunião em protesto contra a presença da Igreja Apostólica da Estônia, que não é reconhecida pelo Patriarcado de Moscou. A Igreja Católica lamentou o incidente e afirmou que não poderia interferir em questões internas dos ortodoxos.As divergências sobre os poderes do papa continuam sendo um obstáculo à unidade entre católicos e ortodoxos. A Igreja Ortodoxa rejeita a jurisdição universal do bispo de Roma (o papa), assim como o dogma da infalibilidade do pontífice. Ortodoxo é uma palavra derivada do grego que significa "ensinamento correto"."No próximo encontro, teremos de falar sobre o papel do bispo de Roma. Não será fácil. O caminho é muito longo e difícil", disse o cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos. A próxima reunião será daqui a dois anos.Além das divergências teológicas, os ortodoxos acusam Roma de tentar se expandir por territórios que estão sob seu controle. O papa Bento XVI considera a unidade dos cristãos um dos eixos de seu pontificado e se declarou disposto a dar passos concretos.Os católicos afirmam ter hoje 1,1 bilhão de fiéis no mundo. Os ortodoxos, 250 milhões. Os dois grupos cristãos estão divididos desde o cisma (cisão) de 1054 entre o Oriente (Constantinopla) e o Ocidente (Roma). A situação do papa sempre foi o principal obstáculo para a reunificação.O documento divulgado ontem foi redigido por uma delegação da Igreja Católica, liderada pelo cardeal Walter Kasper, e por outra das igrejas ortodoxas, presidida pelo metropolita (arcebispo) Zizioulas, do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Também participaram do encontro representantes das igrejas ortodoxas grega e cipriota. O texto será publicado ao mesmo tempo em Roma, Atenas, Chipre e Istambul, sede do patriarcado ecumênico de Constantinopla.