IBGE identifica 17 mil casais gays em prévia do Censo

Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo

Na contagem em municípios com até 170 mil habitantes, instituto encontrou também 11.422 brasileiros centenários

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou 17 mil casais homossexuais na contagem da população feita neste ano nos 5.435 municípios do País com até 170 mil habitantes. É a primeira vez que o instituto apura o número de casais de pessoas do mesmo sexo. Segundo o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, isso não ocorreu antes por "falta de tempo e de conhecimento da maneira de abordar o tema".O trabalho, que não inclui os 129 municípios mais populosos, entre eles Rio e São Paulo, onde estão concentrados cerca de 40% dos brasileiros, também identificou 11.422 pessoas com 100 anos ou mais de idade.Segundo Nunes, a contagem de casais homossexuais será mantida nos próximos censos. "Já havíamos tentado aplicar esse quesito em pesquisas anteriores, o que não pôde ser feito no Censo de 2000. Certamente, quando realizarmos o Censo em 2010, ele permanecerá, porque é uma necessidade retratarmos, em toda a sua extensão, a população brasileira."MAIS CASAS, MENOS GENTEQuando foi a campo, em abril, o IBGE estimava encontrar 29 milhões de domicílios e 111 milhões de habitantes nos municípios visitados. A projeção estava errada. "Visitamos 1 milhão a mais de domicílios, mas encontramos 3 milhões a menos de pessoas, justamente pela redução da fecundidade no País e pela presença de um número médio menor de pessoas por domicílio", disse Nunes. "A velocidade do crescimento da população é menor do que a que estávamos projetando."Em vez de 187 milhões de habitantes, como indicavam as projeções do IBGE, o Brasil chegou a 183.987.291 em 2007, ante 169.799.170 em 2000.A taxa média geométrica de incremento anual da população foi de 1,21% no período, ante 1,64% na comparação de 1991 com 2000. Influenciada pelo declínio da taxa de fecundidade e pela redução do tamanho das famílias, a média de moradores por domicílio caiu de 3,92 pessoas em 2000 para 3,54 em 2007. "Se olharmos o que vem acontecendo no Brasil, não é tão surpreendente assim. A gente vê muito mais pessoas idosas", disse o presidente do IBGE, referindo-se aos 11.422 centenários encontrados este ano. "Não receio dizer que, nas demais cidades não contadas, encontraremos, no Censo de 2010, mais que o dobro dos idosos com mais de 100 anos já encontrados nos municípios pequenos e médios. Temos muitos Niemeyers no Brasil."Em outubro, o Estado mostrou que a população centenária poderá chegar a 45,4 mil pessoas em 2010, segundo projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É quase o dobro do total (24.576) de brasileiros com 100 anos ou mais de idade registrado no Censo de 2000.IMPLICAÇÕESNunes observou que o novo perfil brasileiro, de uma população mais envelhecida, vai trazer implicações em setores como o mercado de trabalho, a medicina e a previdência. Segundo ele, a mudança é resultado "de uma série de políticas públicas que contribuíram para isso, como a erradicação de doenças como a paralisia infantil". A expectativa de vida, por exemplo, aumentou de 40 anos em 1940 para 72 anos em 2007. "A medicina, a construção civil e o sistema de transportes terão de se preparar para o novo Brasil, que precisará cada vez mais de cursos para formar geriatras e de clínicas especializadas."O IBGE também constatou mudança na proporção de homens e mulheres, que era praticamente idêntica em 2000 e caiu para 99,6 homens para cada 100 mulheres em 2007. "É uma característica das grandes cidades, porque a violência entre jovens atinge mais aqueles do sexo masculino."O presidente do IBGE também arriscou uma projeção. Segundo ele, a população do País provavelmente continuará crescendo em termos absolutos até a década de 2050 e chegará ao topo em 2060, com cerca de 260 milhões de habitantes. A partir daí, segundo ele, por conta da fecundidade e da longevidade, começará a decrescer, se forem mantidos os parâmetros atuais. "Teremos que refazer todas as projeções da população e queremos divulgar em 2008 a revisão para as próximas cinco décadas."A contagem da população, que deveria ter sido feita em 2005, atrasou e ocorreu de maneira incompleta "por dificuldades orçamentárias", justificou Nunes.