Hospital amplia serviço de apoio psicológico

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Pérola Byington terá aconselhamento pré-diagnóstico

O Núcleo de Psicologia do Hospital Pérola Byington vai iniciar no próximo mês um projeto piloto voltado a mulheres com suspeita de câncer de mama. Todas as pacientes encaminhadas à instituição serão convidadas a participar de um grupo de apoio enquanto aguardam a confirmação do diagnóstico. O objetivo dos encontros é fornecer informações sobre a doença e seu tratamento, deixando as pacientes mais estruturadas para lidar com o problema.As reuniões serão semanais, com duração de aproximadamente duas horas. "Na última meia hora, vamos ensinar técnicas de relaxamento para ajudá-las a lidar com a ansiedade", conta a psicóloga Alcina Meirelles, idealizadora do projeto."O tempo médio para a realização dos exames é de cerca de um mês. Em menos de 10% dos casos o diagnóstico de câncer se confirma", explica a psicóloga. Quando isso acontecer, a paciente será convidada a participar do Grupo de Reabilitação Para a Vida, que presta acompanhamento psicológico às mulheres durante todo o tratamento.A desinformação em relação à doença, afirma Alcina, favorece o surgimento de sintomas ligados à ansiedade e ao stress, como taquicardia e aumento da pressão arterial. Isso pode afetar o sistema imunológico das pacientes e deixá-las mais suscetíveis à depressão.Além de aumentar a adesão ao tratamento, portanto, o atendimento psicológico pode influenciar positivamente em seu resultado. "Há muitos conceitos errados sobre a doença, muitas pessoas a associam a uma sentença de morte, nem sequer têm coragem de mencionar a palavra câncer. Também fazem uma imagem da cirurgia e da quimioterapia muito pior do que a realidade. Nas reuniões elas compartilham experiências e percebem que muitas já conseguiram superar o problema, percebem que existe vida após o câncer."Esse apoio foi fundamental na reabilitação da professora de educação física aposentada Nil Gomes, de 52 anos. Ela descobriu a doença em 2005, por meio de exames de rotina, e foi operada em 2006 em outra instituição. "Lá não recebi nenhum acompanhamento psicológico. Me sentia muito sozinha e isso me fez procurar auxílio aqui há cerca de um ano. Quando cheguei só chorava", conta.Graças ao apoio do grupo, Nil conseguiu abandonar os remédios para controlar a ansiedade, que causavam efeitos colaterais pela interação com os medicamentos contra o câncer. Hoje, mesmo morando em Mato Grosso, continua frequentando as reuniões a cada três meses, quando vem a São Paulo para fazer o acompanhamento médico pós-cirurgia."Gostei tanto do trabalho em grupo que decidi prestar vestibular para Psicologia na Universidade Federal de MT e passei. Como não podia voltar a dar aulas após a operação, isso foi maravilhoso, pois eu precisava de um novo objetivo na vida."