''Hospitais privados estão numa encruzilhada''

Clarissa Thomé - O Estado de S.Paulo

Para dar conta dos pacientes, hospitais públicos e particulares tiveram de criar sistemas de avaliação de risco na fila. Pacientes com suspeita de dengue fazem exames de sangue antes mesmo de serem atendidos. Ainda assim, quem não tem dengue sofre na fila ao lado dos infectados.A estudante Eveline Martins de Carvalho, de 27 anos, esperou quatro horas para ser atendida no Hospital São Bernardo, na Barra da Tijuca, ter a gastrite diagnosticada e receber a medicação intravenosa. "Todo mundo virou vítima dessa epidemia", disse ela. O operador de caixa Eduardo Cardoso, de 21 anos, além de esperar para ser atendido por causa de infecção intestinal, ainda aguardou pela hidratação. "Estava tudo ocupado pelos pacientes da dengue", contou. O diretor-médico do Hospital São Bernardo, Carlos Alberto Chiesa, diz que o setor privado está numa encruzilhada. "Saltamos de 5.500 atendimentos ao mês para 7.600. E não temos como abrir outras alas ou fazer contratações porque depois da epidemia ficaríamos ociosos", afirma. O diretor-médico do Hospital Santa Cruz, Mauro Amaral, concorda. A instituição de Niterói tem internado na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica pacientes do Rio, onde há dificuldade de vagas. Três crianças morreram ali. "Além da epidemia, temos os nossos pacientes do dia-a-dia, crianças vítimas de acidentes de trânsito, com suspeita de pneumonia. É uma situação difícil, até porque o paciente do plano de saúde não procura a tenda de hidratação do governo do Estado. Ele quer ser atendido no hospital particular", afirma.Para atender a essa clientela e esvaziar o pronto-atendimento da rede privada, a Amil abriu quatro postos para pacientes com dengue, entre os quais uma tenda na Barra da Tijuca, com 230 m². O investimento custou R$ 1 milhão. "Cheguei a ficar cinco horas no Hospital de Clínicas da Taquara. Aqui meu filho foi atendido em 15 minutos", contou a diarista Marina Goudinho da Silva, de 41 anos, que acompanhava o filho Jeferson, de 15, que recebia hidratação. "Abrimos os postos para os clientes do plano, mas já recebemos pessoas da comunidade. Não negamos atendimento", disse o diretor do Projeto Dengue, Dino Roberto Gomes.