Hora do check up

Diana Dantas - ESPECIAL PARA O SF - O Estado de S.Paulo

A mulher precisa ter acompanhamento médico em qualquer idade. O ginecologista é o seu clínico geral, marque uma consulta

Cristina Nobayashi tem 39 anos, dorme cerca de seis horas por dia, é dentista - com consultório próprio -, mãe de duas filhas pequenas e, nas horas vagas, maratonista. Como ela consegue? Saúde em primeiro lugar. Todos os anos, faz os exames ginecológicos de rotina, apropriados para a sua idade. Além disso, por causa do esporte, tem acompanhamento de um cardiologista e de um nutricionista. "Nem doente ou gripada eu fico", diz, orgulhosa, como se ostentasse uma medalha.

 

A atitude preventiva deve ser seguida por todas as mulheres, independentemente da idade. "O ginecologista deve ser o clínico geral da mulher", afirma o responsável pelos centros obstétricos do Hospital Santa Joana e da Pró Matre, Alberto d’Auria.

 

Para ele, que também é ginecologista clínico e obstetra, o check-up deve ser feito de seis em seis meses, embora nada substitua a avaliação feita no consultório médico. "Vários aspectos podem ser concluídos na hora pelo ginecologista", avalia. No entanto, para cada idade, há preocupações diferentes e, por isso, os exames mudam de acordo com o tempo.

 

Como as mulheres de 20 e 30 anos têm o mesmo perfil, os cuidados preventivos são os mesmos. Nessa faixa etária, geralmente, elas estão no seu período mais fértil, sexualmente ativas e sob efeitos de anticoncepcional.

 

Nesta fase da vida, muitas ainda têm o suporte da família e o aspecto emocional é um dos que mais contam para gerar doenças. A preocupação maior dessas mulheres, portanto, é com os relacionamentos afetivos - o que gera decepções facilmente. "É nesse momento que ocorrem grandes oscilações de imunidade e, como isso está muito ligado ao emocional, aumentam as chances de contraírem infecções genitais", afirma d’Auria.

 

Os exames mais importantes nessa faixa etária são o Papanicolau e, dependendo do caso, a colposcopia - que complementa o resultado. Os testes verificam a existência do HPV (papilomavírus humano), responsável pelo câncer de colo do útero, uma das maiores causas de morte. Após cinco anos de atividade sexual, 60% da população mundial já tiveram algum contato com o vírus. "Isso em mulheres de todas as profissões, classes sociais, cor, credo, e em todos os países, sejam ricos ou não", explica o especialista em HPV e doenças do trato genital do laboratório Salomão & Zoppi, José Focchi. "Ter HPV não é indício de promiscuidade, pois qualquer um pode adquirir", reforça a colposcopista Maria dos Anjos Chaves.

 

Ao contrário da maturidade, na fase dos 20, 30 anos, as mulheres não apresentam distúrbios hormonais importantes, e há menos preocupação com tumores malignos. Por isso, a mamografia - considerado um exame agressivo, por causa da radiação intensa - não é indicada pela maioria dos médicos. O mais recomendado, em geral, é o ultrassom de mamas.

 

 

MATURIDADE

A mulher de 40 deve ter atenção com as mamas, principalmente aquelas com histórico familiar de câncer no local. Deve realizar a mamografia. Nesse período, ela já enfrenta um declínio da função hormonal - o pré-climatério. O funcionamento da tireóide também passa a ser acompanhado, pois o tempo de vida da glândula é curto: dura, em média, de 38 a 40 anos. As consequências são o déficit da produção de hormônios. "A atenção deve ser voltada para sintomas próprios de hipotireoidismo, que são de fácil conclusão", avalia d’Auria.

 

Aos 50 anos, o climatério já está instalado: a queda da função hormonal afeta o físico e a atividade sexual. Além disso, há os outros sintomas comuns, como ondas de calor e grandes alterações emocionais. A idade também é percebida pela diminuição do colágeno da pele e pela perda de textura e coloração dos cabelos que ganham fios brancos.

 

A dentista Lúcia Possagnolo, de 57 anos, por exemplo, faz reposição hormonal há oito anos. "Para mim, melhorou a pele e até a libido", conta ela, que ainda teve quadro de depressão.

 

No entanto, d’Auria alerta que a reposição não é indicada para todas as mulheres. Por isso, é preciso sempre ter acompanhamento médico para avaliar caso a caso a necessidade desse tipo de terapia.

 

 

EXAMES POR FAIXAS ETÁRIAS

 

Entre os 20 e 30 anos:

 

Papanicolau: verifica a presença de HPV ou de um câncer de colo de útero;

Colposcopia: exame complementar ao Papanicolau, aumenta a precisão de acerto;

Ultrasom pélvico transvaginal;

Ultrassom de mamas: apenas em caso de orientação médica;

Exames de sangue: avaliação do perfil de gordura (não precisa ser feito com regularidade, caso o resultado seja normal); glicemia; marcador para endometriose (doença comum nessa fase) ou o CA125; hormônio da tiroide TSH.

 

 

Aos 40 anos:

 

Papanicolau e colposcopia;

Ultrassom pélvico transvaginal;

Mamografia;

Ultrassom de mamas, em caso de orientação médica.

Teste ergométrico: avaliação das capacidades cardiorespiratória e circulatória;

Espiroergométrico: complementar ao teste ergométrico, avalia a expansão e inspiração de oxigênio e da retenção de dióxido de carbono;

Exames de sangue: hormônios da tiroide, o TSH; gordura sanguínea; colesterol; função hepática.

 

Aos 50:

 

Densitometria óssea: feita de 18 em 18 meses para checar a reserva de cálcio;

Papanicolau e colposcopia;

Ultrassom pélvico transvaginal;

Ultrassom de abdome total;

Mamografia: obrigatória anualmente;

Consulta com um cardiologista, especialista que prescreve o teste ergométrico;

Exames de sangue: hemograma completo; glicemia; TSH (tiroide); colesterol total e frações (HDL + LDL + VLDL); função hepática (TGO +TGP + GamaTG)