Homicídio leva mulher a se esconder em casa

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Joana (nome fictício), de 54 anos, desenvolveu stress pós-traumático depois que o genro foi assassinado, há sete anos, e está em tratamento. A filha e viúva, de 32 anos, também sofre com o transtorno e a neta, que na época tinha 8 dias de vida, faz terapia para lidar com o problema das duas. "Foi um crime encomendado e descobrimos que o mandante era uma pessoa da família dele, então ficamos com medo de que pudessem também fazer mal à minha neta. Por isso, acabamos prendendo demais a menina", conta Joana. "Depois do crime, as portas e janelas de casa ficavam sempre fechadas e não atendíamos a campainha. Quando alguém queria nos visitar, tinha de ligar antes avisando. Minha filha parou de ver TV e ouvir música e não conseguia mais dormir direito. Estava sempre cansada e tensa", conta. Joana e a filha só procuraram tratamento três anos após o incidente. Primeiro, recorreram a um médico de convênio, que apenas receitou remédios. Mas só quando chegaram ao Prove e deram início à terapia conseguiram melhorar. "Minha filha se recuperou bem mais do que eu e já leva uma vida quase normal. Eu ainda tenho crises quando situações me fazer lembrar o trauma." Antes do assassinato do genro, Joana já havia sofrido com a agressividade do pai, o que torna seu quadro mais difícil de tratar, explica o coordenador do Prove, Marcelo Feijó de Mello. Dados preliminares da pesquisa, indicam que a presença de traumas na infância podem elevar de 4 a 5 vezes o risco de desenvolver stress pós-traumático."Quando o trauma é recente e não tem outros fatores associados é bem mais fácil reverter o quadro", diz Mello.