Homem transmite H1N1 para 220 porcos

Jamil Chade, GENEBRA - O Estado de S.Paulo

Caso no Canadá é analisado; sacrifício de criações no Egito gera confronto

No Canadá, 220 porcos foram infectados pelo vírus H1N1, transmitido por um dos funcionários da fazenda onde se encontravam. O fenômeno levantou novas preocupações na Organização Mundial da Saúde (OMS) e na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) sobre a transmissão da doença de volta aos animais e uma eventual nova onda de contaminações mais severas entre humanos. No Egito, a decisão do governo de sacrificar 300 mil porcos - a despeito da orientação da OMS de que não há risco de contrair a doença pela ingestão de carne de porco - gerou protestos e violência.No sábado a noite, autoridades canadenses informaram que 220 porcos em uma fazenda em Alberta estavam contaminados. O homem que passou o vírus esteve no México. Joseph Domenech, veterinário-chefe da FAO, admitiu ontem que estava preocupado. "Precisamos reforçar os controles", disse. Os animais foram isolados.Uma das preocupações, especialmente na Ásia, é com eventual mistura do vírus da gripe suína, o H1N1, com o da gripe aviária, o H5N1. "Por isso precisamos monitorar animais e garantir que não haja expansão da contaminação", disse Peter Ben Embarek, especialista em segurança alimentar da OMS. "Se ocorreu no Canadá, pode se repetir em outros lugares."CHOQUES NO EGITOOntem, o Egito iniciou o sacrifício de milhares de porcos no país, alegando que essa seria a forma de lidar com a doença. A atuação da polícia acabou gerando violência. A maioria das criações é caseira e serve como o único sustento à população mais pobre. A violência ocorreu em vários locais da periferia do Cairo. Os donos dos porcos atacaram as autoridades com pedras e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e balas de borracha. O governo prometeu que indenizará cada família em US$ 14 e importou máquinas para matar 3 mil porcos por dia. O Egito não registrou nenhum caso de gripe suína, mas desde 2006 já contabiliza 26 vítimas fatais da gripe aviária. O temor é de que haja uma mistura dos vírus.