Há mais centros especializados

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Secretário também destaca papel das campanhas

O secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, comemora o aumento de transplantes, mas admite haver "um vazio assistencial" na área. "É preciso capilarizar o atendimento. Muitos Estados não têm capacidade instalada para executar esse tipo de procedimento", completa. Para ele, o crescimento do número de cirurgias tem vários fatores. Em primeiro lugar, o aumento no número de centros capacitados para a realização da cirurgia que entre 2007 e 2008 passou de 892 para 942. Além do maior número de centros habilitados, Beltrame cita o impacto de campanhas de esclarecimento. Apesar da melhora, o secretário admite haver ainda uma série de entraves para reduzir a lista de espera por um órgão, que atualmente reúne 58.634 pessoas. O principal deles, em sua avaliação, é o número proporcionalmente baixo de doadores. Na Espanha, o número é significativamente maior: 36 para cada 1 milhão de pessoas. Beltrame diz que, se houvesse um número maior de doadores, o de transplantes poderia ser maior. "Quanto mais transplantes fazemos, mais pessoas se mobilizam para doar órgãos." Beltrame atribuiu o baixo índice de doações a fatores culturais. "Em certos casos, é preciso que familiares tomem a decisão logo que o diagnóstico de morte cerebral ocorre." Para melhorar os números, complementa, seria preciso "ganhar corações e mentes", algo que teria de ser feito com uma abordagem de profissionais de saúde capacitados. Embora a falta de doadores seja a primeira dificuldade, há uma série de desafios. Como oferecer o serviço onde ainda não há capacidade instalada. O problema, afirmou, não se resolve apenas com dinheiro, mas também com capacitação de pessoal.