Grupo discutirá novas ações

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariângela Simão, reconhece que os números do último boletim de aids mostram que não há como "dormir em berço esplêndido". "Há muito o que fazer, principalmente na área de prevenção." Ela lembra uma pesquisa de 2005 que mostrava que a doença é conhecida por 96% dos adultos e 92% sabem que o problema pode ser prevenido com preservativo."Mesmo assim, o número de novos casos mantém-se estável. A doença exige uma mudança comportamental, algo que não é fácil de conseguir." Por outro lado, o tratamento retirou da doença o status de "sentença de morte". "Diante dos avanços do tratamento, parte da população relaxou na prevenção. Esse é um fenômeno mundial, não só brasileiro."Mariângela não tem dúvidas de que chegou o momento de "radicalizar" na prevenção. Isso, no entanto, ainda não se sabe muito bem o que será. "Passamos do estágio de entregar folders para populações de maior risco. Isso não funciona mais." Para tentar criar estratégias mais eficazes, um grupo de estudo deverá ser feito, neste ano, com representantes da sociedade civil. Ela reconhece ainda ter muito o que fazer na área da transmissão vertical (contaminação da mãe para o bebê). Em dez anos, a redução foi de 53%. "Mas os números são inadmissíveis." Para ela, isso começa com o real acesso da população a preservativos. "Em vários locais, a camisinha não sai do almoxarifado. Estados afirmam que não conseguem dar vazão à distribuição e a população reclama da falta de acesso."