Gripada, jovem reage com incredulidade

Bárbara Souza, JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo

Servidora pública de 24 anos contraiu o vírus A(H1N1) nos EUA e ficou isolada em hospital

A madrugada de 29 de maio parecia não ter fim para a servidora pública federal A., de 24 anos, que, sozinha em casa, não conseguia dormir. Estava com febre que não passava dos 38°C, mas não baixava com antitérmicos. Recém-chegada dos Estados Unidos, não queria acreditar que a dor nos joelhos ia além da gripe comum. "Fazia três dias que estava gripada, mas a única coisa diferente que eu sentia era dor nos joelhos." Ela então decidiu procurar um médico. No Hospital Paulistano, falou da viagem ao exterior. Não precisou dizer muita coisa depois disso. Saiu acompanhada por uma médica em esquema de isolamento direto para o Emílio Ribas, instituto de infectologia em São Paulo. A. teve problemas para informar os dados para os papéis da internação - a máscara que precisou usar já no Paulistano a obrigava a gritar aos atendentes a sua vida pessoal. Ficou isolada na enfermaria, esperando por um quarto. Ainda era madrugada. Os jornais da manhã anunciariam que o Brasil havia encerrado as contas do dia anterior com mais três casos da gripe suína. Chegava a 14 o número de infectados. A. ainda não estava nas estatísticas. A internação foi preventiva, enquanto os médicos aguardavam o resultado do exame. Ela demorou a entender e aceitar o que o prontuário dizia. "Eu tinha certeza de que ia dar negativo." Quando leu "diagnóstico H1N1", chorou. "Pedi para refazerem. Uma enfermeira disse que todo mundo reage assim." No 8º andar, A. viu os pais por meio de um vidro. "Imagina o desespero. Mas eu estava bem, andando." Para atendê-la, os médicos paravam numa antessala para vestir roupas especiais. Ela ficou internada até o dia 31. Saiu após assumir o compromisso de se isolar em casa até quarta-feira, quando voltaria a trabalhar. Nenhuma das pessoas com quem teve contato foi contagiada. Mas o retorno ao trabalho foi cercado por olhares inquisidores e amedrontados. Nos dias seguintes, para quebrar o gelo, ela tomava a iniciativa de conversar. À reportagem, disse que achava importante dar a entrevista, para ajudar a esclarecer e desmistificar a H1N1.