Grifes apostam em tecidos orgânicos

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Sai o ecochato, entra o ecofashion. Este é o desafio desta edição do SPFW, que se propõe a disseminar conceitos como sustentabilidade, biodiversidade e consciência socioambiental usando a moda como megafone. Numa ação conjunta com o Instituto e, o evento mostra a criação de estilistas com os chamados e-fabrics - tecidos de comprovada sustentabilidade ambiental ou social. Os looks foram fotografados na Amazônia e participam do projeto nomes como Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho, Lino Villaventura, Tereza Santos e Oskar Metsavaht, fundador do movimento e-brigade, que agora cresce para se tornar o Instituto e. O ?e? refere-se às palavras earth, environment, education e energy.Para ser um e-fabric, não é necessário ser 100% orgânico. ?Não adianta querer isso de um dia para o outro. Se uma grande empresa como a Vicunha tiver 1% de orgânico, já é um bom volume e o primeiro passo para chegar aos 100%?, diz Metsavaht, que reconhece que a qualidade e o aspecto desses materiais ?alternativos? ainda são pouco atraentes. ?A maioria ainda tem cara de feirinha hippie, mas estamos mudando isso, embalando de forma moderna um conteúdo que já é bom e criando uma comunicação forte com o consumidor jovem, para criar o desejo. Este é, com certeza, o novo luxo - inclusive a produção é mais cara do que o material industrializado?, afirma.O e-fabric deve ser de origem sustentável (socialmente correto e não agressivo ao meio ambiente). Pode ser produzido por uma grande indústria ou por uma cooperativa. O mapeamento dos fornecedores é feito pela empresa de consultoria Environmental Directions. Para a exposição, os estilistas trabalharam algodão orgânico, couro vegetal, lã artesanal, materiais de garrafa pet reciclada e tintura com pigmentos naturais.?Em 2000, quando pensei o e-brigade, a sociedade estava rebelde sem causa e achei que a defesa do meio ambiente via moda era a melhor maneira de lutar contra o sistema?, conta Metsavaht, das grifes Osklen e New Order. Dois anos depois, o movimento e-brigade foi reconhecido pela Unesco. ?Hoje temos parceiros como a Renctas, o Instituto Socioambiental e a WWF?, conta.Naquele ano, usando o velho e eficiente recurso da camiseta como outdoor de idéias, Metsavaht resolveu divulgar iniciativas importantes, como o Protocolo de Kyoto, estampando-o em camisetas do e-brigade. Por meio do Protocolo de Kyoto, governos do mundo todo se comprometeram a reduzir até 2012, em no mínimo 5,2%, a emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa e o aquecimento global. Por isso, hoje o selo ?carbon free? tem tanta importância. E a partir de hoje no prédio da Bienal, nos chamados postos verdes, cada pessoa poderá medir o impacto de suas atividades cotidianas e calcular quantas árvores precisam ser plantadas para neutralizar seus efeitos nocivos - uma parceria com a ONG The Green Initiative. ?O Brasil é o país da biotecnologia e do verde. Por isso é o país do futuro?, diz Metsavaht.