Gravidez na adolescência envolve maiores riscos para a mãe e o bebê

Emilio Sant'Anna - O Estado de S.Paulo

T.B., de 13 anos, mora com a mãe e o irmão em Lauzane Paulista, na zona norte de São Paulo. Está na 6ª série e há dez dias se tornou mãe de Nicole, que nasceu prematura, com 1,8 quilo. Agora, T.B. faz parte das estatísticas da Secretaria Municipal da Saúde como uma das 442 menores de 14 anos identificadas como gestantes de alto risco pelo Programa Rede de Proteção à Mãe Paulistana. Além do impacto emocional, casos de gravidez na adolescência costumam estar associados a riscos para a saúde da mãe e do bebê. T.B. não foi exceção. Até o quinto mês, ela conseguiu esconder a gravidez precoce, com medo da reação da mãe. Como resultado, realizou apenas um exame pré-natal. "Não deu nem tempo, fiz num dia e no outro, a bolsa estourou", conta ela, enquanto aguarda Nicole sair da UTI neonatal da Maternidade Municipal Vila Nova Cachoeirinha."As doenças típicas da gestação, como a eclâmpsia e diabetes gestacional, têm maior incidência em grávidas adolescentes", explica o pediatra Celso Terra, coordenador do Mãe Paulistana. Adolescentes como T.B. não têm maturidade física para completar uma gestação em segurança. Os ossos de seu quadril e seu útero ainda não estão preparados para o parto. "Muitas vezes, elas não têm dilatação suficiente da pélvis para fazer um parto normal e isso aumenta a probabilidade de morte", diz Terra.Como forma de prevenção, o programa passou a rastrear todas as gestações de alto risco na capital. Em 2008, das 111 mil cadastradas no Mãe Paulistana, mais de 7 mil eram gestantes de alto risco. Uma vez por semana, os dados do sistema de informações da secretaria são vasculhados, em busca de gestações com potencial de risco. São avaliados critérios como hipertensão, diabetes e ocorrência anterior de dois ou mais nascimentos que resultaram em morte dos bebês. Quando essas mulheres são identificadas, o programa entra em contato e ela passa a ser acompanhada pela equipe. FRASECelso TerraPediatra e coordenador do Mãe Paulistana"Muitas vezes, elas (adolescentes grávidas) não têm dilatação suficiente da pélvis para fazer um parto normal e isso aumenta a probabilidade de morte"