Governo prevê aumento de 6% em planos

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

Cálculo da ANS estima impacto da inclusão de novos procedimentos

Estudo preliminar da própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgado em novembro do ano passado apontava que a incorporação de novos procedimentos ao rol mínimo de atendimento dos planos de saúde, divulgada no dia 10, poderia resultar em aumentos de até 6% dos convênios médicos. O trabalho foi apresentado por técnicos da agência em um encontro com representantes de associações médicas no dia 21 de novembro, quando foi discutido o novo rol, que só valerá a partir de abril deste ano. A agência, ao divulgar a lista de serviços na semana passada, que acrescentaria cerca de cem serviços aos planos, refutou informações da Associação de Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que apontou aumentos de 8% até 10% nos planos após a mudança.De acordo com o levantamento preliminar da ANS, os valores poderiam variar entre 1,8% e 6,3% com os novos serviços. Procurado ao longo desta semana para tratar do assunto, o diretor-presidente da agência, Fausto Pereira dos Santos, informou por meio de sua assessoria que em razão de compromissos não poderia atender a reportagem.Ontem sua assessoria informou que o estudo era preliminar e "frágil" e que será refeito porque faltaram informações sobre a demanda dos procedimentos incorporados, daí a diferença dos percentuais de aumento previstos naquela ocasião, de 1,8% a 6,3%. "A inconsistência das informações gerou o intervalo", informou a assessoria da diretoria da agência.Ainda de acordo com a ANS, assim como podem existir procedimentos com a demanda reprimida, havia alguns que já eram feitos pelas empresas, independentemente da exigência da ANS. Além disso, informou a agência, alguns dos novos serviços poderão acarretar na verdade em diminuição de custos. Por exemplo, a incorporação de exames preventivos, como a mamografia digital, poderia auxiliar a descobrir o câncer da mama mais cedo e evitar complicações maiores da doença, que acarretariam mais gastos.O reajuste dos planos individuais, que é regulado pela agência, ocorre em maio e os repasses não devem ocorrer neste ano, promete o órgão regulador. No entanto, a ANS não descarta aumentos em 2008. Já os aumentos dos planos coletivos são definidos por uma negociação entre o contratante e os convênios.No entanto, o preço dos planos à venda não é controlado pela agência, e algumas empresas podem aumentá-lo imediatamente. A Abramge informou que ainda analisa o novo rol para definir exatamente seu impacto, assim como a Fenasaúde, que reúne empresas de planos e também seguradoras.