Governo de Mato Grosso contesta dados do Inpe

Cristina Amorim - O Estado de S.Paulo

O governo de Mato Grosso afirma que 89,98% do desmatamento apontado pelo sistema Deter entre outubro e dezembro do ano passado não aconteceu. Segundo um relatório preparado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado, a grande maioria da área que teria sido derrubada é formada por locais que sofrem um processo de degradação progressiva ao longo de anos, com corte seletivo e queimada, por exemplo, mas que não sofreram a supressão total de árvores - o corte raso.O governo federal registrou alteração em 1.786 km2 de floresta em Mato Grosso nesse período. O relatório indica que 17% não aconteceu de fato - a floresta está intacta, sem degradação ou corte raso -, de acordo com análises em campo conduzidas por técnicos de Mato Grosso.''Visitamos 662 pontos e há uma dinâmica de degradação progressiva que começou a oito, nove anos. Não aconteceu no fim do ano passado, como foi apresentado'', afirma o secretário-adjunto de Qualidade Ambiental da secretaria, Salatiel Araújo. ''O Deter não era usado para estimar área de desmatamento. É uma situação danosa para o Estado, que tenta trabalhar com o setor produtivo.''Os dados foram apresentados na semana passada ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo Deter. Segundo o diretor do instituto, Gilberto Câmara, os 17% apontados pelo relatório serão checados, mas ele diz que áreas degradadas sempre foram computadas pelo sistema e continuarão sendo. ''A despeito da discussão conceitual sobre o que é ou não é desmatamento, o padrão de exploração que está sendo usado não deixa a floresta em pé'', diz Câmara.