Governo ampliará para 500 as escolas adotadas

Maria Rehder - O Estado de S.Paulo

José Serra quer multiplicar por dez as unidades que recebem recursos diretamente de empresas; aprendizado ainda é responsabilidade do Estado

O governador José Serra pretende ampliar de 52 para 500 o número de escolas estaduais adotadas por empresas. A meta faz parte do projeto Empresa Educadora, formalizado pela Secretaria Estadual da Educação em 2005, que permite aos empresários repassarem recursos diretamente às escolas. Algumas empresas chegaram a investir mais de R$ 400 mil em uma só escola em 2007. "O Estado continua responsável pelo aprendizado, mas a responsabilidade social das empresas entra em jogo", afirma a secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. Segundo Ana Maria Stuginski, responsável pela área de parcerias na secretaria, as empresas interessadas passam por uma avaliação e, se aprovadas, repassam os recursos financeiros diretamente à Associação de Pais e Mestres (AMP) da escola. "O empresário faz a interface diretamente com a escola, que mostra suas necessidades e tem autonomia para gerir os recursos", diz. Mudanças físicas na escola são submetidas à aprovação da secretaria. O especialista em administração escolar da Universidade de São Paulo (USP) Rubens Barbosa de Camargo, no entanto, faz ressalvas em relação ao anúncio da ampliação do programa. "É uma maneira de abrir mão da responsabilidade do Estado." Para ele, manter a sala de informática aberta e em funcionamento, por exemplo, é dever do Estado. "É o Estado que tem de colocar os recursos para biblioteca, sala de informática, laboratório. Se as empresas, além de pagarem seus impostos, tiverem o interesse em auxiliar a gestão pública não vejo problema, desde que isso não se torne política pública."Já Ilona Becskeházy, diretora executiva da Fundação Lemann - entidade que adotou no início do segundo semestre a Escola Estadual Vicente Rao, na zona sul - acredita que a educação não é só responsabilidade do Estado. "A sociedade tem de se comprometer a criar uma rede de solidariedade. Há exemplos de outros países onde isso acontece. Qualquer colaboração é positiva desde que seja feita dentro de um plano organizado com a escola ."O investimento da Fundação Lemann nessa escola - que atende 1,8 mil alunos de 5ª série ao ensino médio - foi de US$ 200 mil em 2007. A primeira providência foi a de contratar oito educadores para aulas de reforço aos sábados. "Cerca de 40 alunos da 5ª série nem sequer escreviam o nome direito", conta a diretora da escola, Guiomar Franco. A parceria driblou a burocracia do Estado, pois como a escola só atende alunos a partir da 5ª série não tem professores especializados em alfabetização. Segundo Ilona, o próximo passo será a troca do telhado e de todo o sistema elétrico da escola. Em outra escola da zona sul, adotada pelo Grupo ABC, que tem como sócio o publicitário Nizan Guanaes, o número de alunos subiu de 1.347 para 1.566, em um ano.A secretaria de educação informa que, paralelamente, investe na infra-estrutura de escolas. Neste ano foram R$ 550 milhões em obras, reformas e ampliações.