Governo admite falta de vigilância com viajantes

Fabiane Leite e Felipe Oda - O Estado de S.Paulo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária reconheceu que errou ao não disponibilizar informações para passageiros que chegavam ontem do México a São Paulo. Segundo o diretor da agência José Agenor Álvares da Silva, a gráfica que trabalha para o Ministério da Saúde deve entregar apenas hoje os folhetos em português, inglês e espanhol. Eles serão distribuídos aos passageiros. Uma equipe também passará a recepcionar os viajantes. O ministério afirmou ontem já ter iniciado a veiculação de avisos sonoros nos saguões. "Não houve tempo, só na sexta-feira recebemos o alerta da Organização Mundial da Saúde", explica Silva. "Foi um erro, realmente". Na manhã de ontem, houve reclamações durante o desembarque do voo 00014 da companhia AeroMexico, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O grupo que chegou à capital diz que não foi abordado por agentes de saúde nem recebeu orientações. Parte deles desembarcou no Brasil ainda com as máscaras de proteção distribuídas no México. "Lá nós recebemos máscaras e folhetos. As autoridades estão atentas. Já no Brasil, ninguém nos abordou. É como se nada estivesse acontecendo", afirmou Samira Conti, de 60 anos. O engenheiro Julian Moriello, de 55, estranhou. "Achei que o desembarque seria demorado, mas peguei a mala e entrei no País." Segundo Regimara Amaral dos Santos, os tripulantes do voo disseram que a gripe estava controlada no México. "Não há orientação específica sobre a doença e os tripulantes não têm o que informar aos passageiros", afirmou a aeromoça Leticia Serratos Vasques.