Funcionários retomam bloqueio da reitoria da USP

Simone Iwasso e Elida Oliveira - O Estado de S.Paulo

Greve tem afetado serviços administrativos; poucas unidades suspenderam aulas ontem

Um dia após policiais militares entrarem no câmpus e liberarem a entrada da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), bloqueada desde terça-feira passada, funcionários em greve há quase um mês fecharam novamente os acessos ao prédio. No início da manhã, algumas pessoas que não aderiram à paralisação tentaram entrar no local, mas foram impedidas. Houve tumulto, contido pela Guarda Universitária.A maior parte da Cidade Universitária, no entanto, não foi afetada pela movimentação. A maioria das unidades da instituição teve aulas normalmente. Outro conflito ocorreu no Centro de Práticas Esportivas (Cepeusp), no início da tarde. Uma aluna da Faculdade de Farmácia tentou entrar no local, mas foi impedida pelos funcionários, que bloqueavam a entrada. Ela insistiu e chamou a polícia. Uma viatura foi até o local e tentou levar alguns sindicalistas à delegacia. Eles resistiram e chamaram reforço do grupo que estava na reitoria. Uma aglomeração se formou em frente ao centro e os policiais foram embora. A greve de funcionários, que estão em campanha salarial, tem afetado basicamente serviços administrativos da universidade. O fechamento da reitoria, se for prolongado, pode atrasar salários, realização de congressos e entrega de diplomas, por exemplo. Além disso, os museus também estão com entradas impedidas. Para ganhar mais impacto, os funcionários prometem fechar a entrada do câmpus amanhã. No entanto, nos últimos dias, as aulas têm acontecido normalmente no câmpus. Apenas ontem, professores e alunos fizeram uma paralisação, liderada pelo sindicato (Adusp) e pelo Diretório Central dos Estudantes. Mesmo assim, a menor parte das unidades realmente parou, apesar de um grupo de alunos ter passado de sala em sala falando sobre o movimento. A maior adesão ocorreu na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), onde algumas salas foram esvaziadas e em outras houve debates. Em várias outras unidades, como Escola Politécnica, Química, Computação, Administração e Economia, a rotina escolar aconteceu normalmente.O clima na Cidade Universitária, apesar dos protestos localizados, estava normal e grande parte das atividades aconteceu sem interrupção. A reitora Suely Vilela, que não se pronunciou sobre o caso desde o início, manteve o silêncio também ontem. A assessoria de imprensa da USP informou que a reitoria está tomando as medidas administrativas necessárias para a liberação do prédio. Na semana passada, a universidade obteve reintegração de posse na Justiça, que foi cumprida na manhã de ontem por policiais militares. A ação despertou revolta dos sindicatos e de grupos de alunos, que associaram a ação da reitora com as invasões ocorridas na USP na época da ditadura.Nos câmpus de Pirassununga, Piracicaba, Ribeirão Preto e São Carlos, os funcionários também aderiram à greve. Parte das atividades ocorre normalmente. Até o fechamento da edição, alunos e professores estavam realizando assembleias para decidir suas posições - se continuariam o movimento.Na segunda-feira da semana passada, um desentendimento antes de uma reunião do Fórum das Seis, entidade que representa sindicatos das três universidades estaduais paulistas, com o Conselho de Reitores (Cruesp) provocou a invasão da reitoria por um grupo de estudantes, que permaneceu no prédio, sem deixar os reitores saírem, por cerca de quatro horas. Depois disso, as negociações foram suspensas.As reivindicações do Fórum das Seis incluem, entre outros pontos, reajuste de 16% mais R$ 200. Os reitores ofereceram 6% de reajuste, incidindo a partir do mês de maio.