Fraternidade ignora Vaticano e ordena padres

- O Estado de S.Paulo

Cerimônia da São Pio X na Suíça reúne 2,5 mil fiéis; para Santa Sé, ordenações são ilegítimas

Mais de 2,5 mil pessoas assistiram ontem em Econe, Suíça, à ordenação de 6 sacerdotes e 10 diáconos da ultraconservadora Fraternidade São Pio X. Na missa, celebrada em latim, o monsenhor Bernard Fellay, superior da fraternidade, manifestou-se "muito otimista" com o futuro das relações do grupo com o Vaticano. Já o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, voltou a qualificar como "ilegítimas" as ordenações, celebradas após advertência explícita da Igreja. "Repito o que já disse: essas ordenações são ilegítimas e não há nada a acrescentar em relação à posição que adotamos anteriormente", afirmou Lombardi, diretor da sala de imprensa do Vaticano. No dia 17, o porta-voz havia publicado um comunicado condenando antecipadamente a ordenação dos novos sacerdotes pelo monsenhor Fellay. Fellay disse estar "muito surpreso" com a polêmica em torno das ordenações, "enquanto em muitos lugares a Igreja não tem sacerdotes suficientes". Ele também destacou que a fraternidade realizou neste ano 27 ordenações (na Suíça, Alemanha, e EUA), enquanto em países de tradição católica, como França, a Igreja não consegue ordenar nem uma centena. Há atualmente no seminário de Econe 57 seminaristas da Fraternidade São Pio X. OTIMISMO Monsenhor Fellay declarou ainda que está "muito otimista" sobre o resultado das conversas teológicas que a fraternidade deve iniciar com Roma na tentativa de reintegrar a comunidade fundada em 1970 pelo monsenhor Marcel Lefèbvre. "Vejo no papa um desejo de chegar (a uma reconciliação) e onde há uma vontade, há um caminho." Em um gesto de pacificação, o papa Bento XVI anulou em 21 de janeiro a excomunhão de quatro bispos cuja ordenação, em 1988, havia levado à marginalização da fraternidade. Para Fellay, Roma tem demonstrado "tolerância tácita" quanto às ordenações da organização, qualificando-as como ilegítimas sem proibi-las formalmente. Por isso, não considera que a cerimônia tenha sido um ato de provocação.AFP